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Elas dão um show de bola

Ana Paula Pessoto
| Tempo de leitura: 5 min

As meninas estão nos gramados, quadras, arquibancadas, blogs especializados e até em torcidas organizadas. Elas entendem as regras, discutem com os marmanjos e dão um show de bola quando estão em campo. Quem ainda é capaz de dizer que futebol não é coisa de mulher?

É, mas nem sempre foi assim. Durante o período chamado Ditadura Militar (forma de governo onde o poder político ficou concentrado nas mãos dos militares), o Conselho Nacional de Desporto (CDN) proibiu as mulheres de praticarem lutas, futebol, polo aquático, rugby e basebol. Somente em 1986 o CND reconheceu a necessidade de estimular a participação das mulheres nas diversas modalidades esportivas do Brasil.

E foi na década de 80 que ocorreu a explosão do futebol feminino no Brasil. O time carioca Radar colecionou títulos nacionais e internacionais. As vitórias estimularam o aparecimento de novos times e, em 1987, a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) já havia cadastrado 2 mil clubes e 40 mil jogadoras.

Em 1988, o Rio de Janeiro organizou o Campeonato Estadual e a primeira seleção nacional conquistou o terceiro lugar no inédito Mundial da China. Em 1996, o torneio feminino de futebol fez estreia nas Olimpíadas de Atlanta, nos Estados Unidos.

Hoje, a prática do futebol feminino vem aumentando e as meninas jogando cada vez mais cedo. Em Bauru, muitas delas disputam com garotos e até jogam no meio deles em escolinhas de futebol. Isso porque a procura do esporte por elas ainda não é tão efetiva quanto a deles.

Por outro lado, elas também integram times campeões, como a equipe feminina sub-18 de futebol de salão da FIB/Semel/Bauru que, entre outros títulos, foi campeã dos Joguinhos da Juventude em meados de maio. Ao contrário do futebol tradicional, que é jogado no gramado com 11 integrantes por equipe, o de salão é realizado em quadra com seis jogadores em cada time.

Com a coordenação do técnico Billy Tibiriçá e dos preparadores físicos Carlos Alberto Barbosa e Marco Manji, as meninas mostram em quadra que entendem do esporte. Além do futsal, ela também mandam bem no futebol de campo. “Jogo bola desde os 7 anos de idade e tudo começou porque meu irmão treinava e isso foi despertando em mim a vontade de jogar”, lembra Gabriela Martineli.

Quase toda menina que gosta de futebol já ouviu que o esporte é coisa de garotos. “Meu pai mesmo não me deixava jogar, mas insisti porque adoro futebol feminino e hoje ele até gosta de me ver em campo e quadra”, diz Amanda Benedito, 14 anos.

Já Bianca Antonelli, 12 anos, ainda escuta da avó que bola não é esporte para mulher. “Mas eu não ligo porque ela não entende que as coisas mudaram”, afirma.

Em outro ritmo e assim como outras meninas, Suelen Pereira, 13 anos, sempre teve o apoio da família. “Meu tio joga no time da Nova Esperança. Ele é um dos que mais me apoiam”, garante.

Benefícios de um bom jogo

Todo esporte traz benefícios à saúde e o futebol não fica atrás. Além de ser uma ótima atividade física, a modalidade ensina regras e ajuda no convívio social. Billy Tibiriçá é coordenador e técnico de futebol. Entre os benefícios para o corpo, ele aponta o fortalecimento da musculatura, a manutenção do peso e a coordenação motora como três das principais referências do esporte para crianças. “Além disso, a criança e o adolescente aprendem a ter mais responsabilidade e disciplina com horários e deveres de casa e escola”, explica.

Concentrar-se na realização de tarefas do cotidiano fica mais fácil quando se pratica futebol. Isso porque a prática permite o treino da concentração e do raciocínio. O exercício da paciência, relaxamento e o saber perder e ganhar também são ensinados e transportados para fora do gramado ou quadra.

“A garotada também tem a auto-estima elevada, compreende o seu lugar e sua importância. Eles ficam mais amigos, brigam menos e passam a cuidar da vida com mais carinho e respeito”, completa Billy.

É sempre bom lembrar que, antes de se decidir pelo futebol ou qualquer outra modalidade esportiva, é importante conhecer o esporte e saber se você se identifica com ele. Treinar com um professor qualificado também é fundamental. E não se esqueça de cuidar da alimentação. Frutas, verduras e legumes ajudam a manter corpo e mente saudáveis. Água e sucos naturais são indispensáveis para a hidratação.

A melhor do mundo

Quando a pergunta para as meninas da equipe FIB/Semel/Bauru foi sobre quem elas mais admiram no futebol, a resposta foi unânime: Marta. “Ela é maravilhosa. Toda menina que gosta do esporte que é paixão nacional quer ser boa de bola como ela”, diz Beatriz Carvalho, 15 anos.

Apesar do futebol feminino no Brasil ainda não ser tão popular como nos Estados Unidos ou na China, a melhor jogadora do mundo é brasileira. A alagoana Marta Vieira da Silva já recebeu quatro vezes o prêmio de melhor do mundo da Federação Internacional de Futebol (Fifa). Ela foi premiada em 2006, 2007, 2008 e 2009.

Entre faltas e batons

Antes do juiz apitar, as meninas têm sua rotina de vaidade, como toda garota. Os cuidados com os cabelos e a maquiagem não podem faltar. “Gostamos de nos arrumar. Isso é uma preocupação, sim”, confessa Stefany Buzo, 15 anos.

Mas e quanto aos tombos, faltas e marcas roxas pelo corpo? “Ah, luxação, torções e machucados são comuns, mas a gente não liga, faz parte do esporte”, relata Fernanda Sierra, 15 anos. Para a goleira Renata Regina Ziani, 15 anos, que como as demais integra o time da FIB/Semel/Bauru, o importante é competir e sonhar com a seleção brasileira.

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