Neste domingo, quem quiser ir de Adoniran Barbosa a Carmem Miranda, o trajeto é do Vitória Régia ao Teatro Municipal. Assim que os músicos do Demônios da Garoa estiverem se despedindo do público no parque, Ná Ozzetti subirá ao palco do teatro com seu “Balangandãs”. (confira programação completa de hoje no quadro ao lado).O disco, no qual homenageia a “pequena notável”, foi vencedor do prêmio Bravo!Prime 2009 - ano do centenário de nascimento da artista - e traz canções como “Camisa Listrada” e “Tico Tico no Fubá”.
“O ‘Balangandãs’ é um espetáculo atemporal. O repertório é feito de clássicos da música popular brasileira, que fazem parte da história da nossa cultura; é muito importante circulá-lo pelo Brasil. Além de trazer a tona a memória da grande Carmem Miranda”, resume a cantora sobre o projeto desenvolvido coletivamente por ela e os músicos Dante Ozzetti (violão), Mário Manga (guitarra, violoncelo e violão tenor), Sérgio Reze (bateria) e Zé Alexandre Carvalho (contrabaixo acústico) - os mesmos que a acompanham nesta tarde.
O disco traz canções como “Recenseamento” (Assis valente), “Adeus Batucada” e “Ao Voltar do Samba”, de Synval Silva, “Na Batucada da Vida” (Ary Barroso), “A Preta do Acarajé” (Dorival Caymmi) e “Touradas em Madri” (Braguinha), entre outras. O interesse de Ná pela obra destes compositores é herança do início de sua carreira quando integrou o grupo Rumo. Neste período, início dos anos 1980, o grupo pesquisou as obras menos conhecidas de compositores importantes como Noel Rosa, Lamartine Babo e Sinhô, dedicando a este tema uma série de shows e a gravação de um disco, o Rumo aos Antigos (1981).
No show, além das canções do CD, ainda entram “Boneca de Piche” , “Fon-fon” e “Taí”. “Sempre fui fã da Carmen e constantemente colocava alguma coisa do repertório dela nos meus shows, ao longo da minha carreira. Ela era extremamente criativa em tudo. E toda essa exuberância que temos como referência da imagem dela, pode ser encontrada também no canto, na voz. Como ninguém, ela tinha uma especial forma de valorizar o que estava cantando. E foi isso o que me encantou desde a primeira vez que a ouvi”, conta a cantora que, paralelamente ao “Balangandãs”, está em fase de preparação de um disco autoral.
Ná Ozzetti nasceu em São Paulo, onde começou a carreira em 1979 no Grupo Rumo, com o qual gravou seis discos. Na carreira, trabalhou em projetos solo e com outros artistas, incluindo composições em parceria com José Miguel Wisnik, Itamar Assumpção, Luiz Tatit, Dante Ozzetti, Suzana Salles, Zélia Duncan e Alice Ruiz. Em 95, pelo lançamento do CD “NÁ”, a cantora recebeu dois Prêmios Sharp: “Melhor CD” e “Melhor Arranjador” (Dante Ozzetti).
Há 10 anos no Interior, Ná mora atualmente em um sítio em Jundiaí, de onde atendeu a reportagem por telefone. Apesar de paulistana, a cantora confessa sempre ter tido um pezinho no mato. “Toda a oportunidade que eu tinha, viajava para algum sítio, fazenda. Adoro São Paulo, mas acordar e dormir no meio do mato, não tem coisa melhor”, brinca.