Substituir uma palavra por outra ou uma imagem por outra em virtude de certa relação de semelhança é a definição de metáfora em nossos dicionários; e este tipo de ação tem sido muito usado de forma exemplar na arte contemporânea brasileira, que exalta e eleva a nossa produção artística aos patamares internacionais.
Tom Zé, grande artista brasileiro, com uma história construída sobre as bases de nossa brasilidade, se apresentou no último dia 22 de maio no Sesc em Bauru que, a propósito, é uma instituição de altíssimo nível e que sempre se alia ao melhor da cultura brasileira. Porém, neste show ficou uma incógnita ao público ali presente: o que vimos foi real ou apenas um comportamento performático, ou, como preferiria acreditar, metafórico?
Infelizmente a leitura que ficou, a mim pelo menos, não foi positiva, ao contrário; o “artista performático” apresentou um comportamento inflexível, bem diferente da arte alternativa a que se propõe. Gritos, palavrões e agressividade foram as atitudes presenciadas em extremo desrespeito aos fãs que lotaram o ginásio do Sesc, em busca de momentos agradáveis na Virada Cultural Paulista, e a seguir o abandono do palco, para surpresa até mesmo de sua banda, cujos integrantes também receberam ordens, em alto som, para saírem.
Depois de alguns minutos de grande suspense aos que ainda permaneciam no local, para testemunharem o desfecho desta triste história, volta o cantor com sua banda e finalizam com uma música que marcou a despedida, a qual, felizmente, não foi acompanhada de a-plausos significativos.
Enfim, a noite do último sábado nos serviu não como um fator de revolta em relação ao que estamos vendo em nossos meios artísticos e/ou culturais; mas de reflexão sobre o que os artistas estão fazendo de sua arte? Será que este show de Tom Zé pode ser considerado como tal?
Eliane Patricia Grandini Serrano