Já recuperada dos efeitos da crise financeira internacional, a indústria de Bauru aumentou em 69,61% as vendas ao mercado externo nos primeiros três meses deste ano e, com isso, reforçou suas relações comerciais com os países membros e associados ao Mercosul. Principais destinos das exportações bauruenses, Paraguai, Argentina, Uruguai e Bolívia compraram, sozinhos, mais de US$ 24 milhões em mercadorias produzidas na cidade no primeiro trimestre de 2010.
Ao todo, o volume comercializado em dólares pelo município chegou a US$ 41,890 milhões no período, ante os US$ 24,698 alcançados no primeiro trimestre do ano passado. Os dados constam de levantamento realizado pelo Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos (Depecon), vinculado à Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) e ao Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp).
“Esse crescimento acompanha o desempenho da economia brasileira como um todo neste começo de ano, que superou todas as expectativas e registrou crescimento de 9,86% no PIB (Produto Interno Bruto)”, observa o coordenador do grupo de comércio exterior do Ciesp de Bauru, Andrey Valério.
De acordo com o estudo do Depecon, os quatro países latinos, junto com o Irã, negociaram com os empresários da cidade, principalmente, produtos acabados como barras de aço e ferro, carnes, chocolates, balas e gomas de mascar. E para se ter uma ideia da força dessas relações comerciais, basta lembrar que a participação desses países nas exportações locais cresceu de 45% para 64,5% em apenas um ano.
“A Bolívia é um grande importador de barras de ferro, produto que teve um incremento de 10% nas exportações de 2009 pra cá. Por outro lado, a Argentina determinou algumas barreiras comerciais que podem atrapalhar um pouco o envio de produtos nacionais para lá nos próximos meses”, pondera Valério.
Segundo ele, ainda que entraves se imponham, o fato de os empresários da cidade terem uma cartela não tão diversificada de clientes é um aspecto favorável para a indústria local, já que, ao produzir volumes maiores para um único comprador, estabelece-se uma relação mais focada e estreita com os negociantes.
“Se não temos uma gama muito grande de países de destino e mesmo assim estamos aumentando nossas exportações, significa que estamos fortalecendo e ampliando nossas relações comerciais com esses poucos países que tradicionalmente compram da nossa indústria”, analisa o coordenador.
Importações
Diferentemente das remessas de produtos ao Exterior, as importações realizadas pelas empresas de Bauru são oriundas de países mais distintos e pulverizados geograficamente. Argentina, China, Itália, Estados Unidos e Alemanha são os maiores fornecedores de insumos para a produção das fábricas locais, entre eles artefatos diversos de borracha, metais não-ferrosos e suas ligas e máquinas para a produção de alimentos, bebidas e fumo.
“Na realidade, essa lista de importadores não foge muito do que ocorre no Brasil e no mundo. A China, Estados Unidos e Alemanha são grandes exportadores e possuem vários mercados espalhados pelo mundo”, destaca Valério. Ao todo, a cidade importou US$ 19,927 milhões no primeiro trimestre de 2010, contra US$ 12,888 no mesmo período do ano passado, crescimento de 54,62%.
Conforme o coordenador, assim como as exportações, as mercadorias compradas de outros países também são importantes para mensurar o quanto o setor industrial de Bauru se recuperou no último ano. Isso ocorre porque a cidade importa essencialmente matérias-primas e exporta, em sua maioria, produtos acabados. “Como 67% das importações são de insumos industriais, significa que Bauru está importando mais para poder produzir mais”, resume. E como as mercadorias produzidas aqui possuem maior valor agregado, elas rendem maiores dividendos à cidade e demandam maior quantidade de mão de obra, o que contribui para a retomada dos níveis de emprego anteriores à crise.
Mas depois de meses seguidos de franca expansão, Valério aponta que as fábricas que têm como principal cliente o mercado externo devem ficar atentas à crise que começa a se delinear na Europa e já atinge a Grécia. “O dólar vem subindo e esse momento poderá ser sentido também na nossa região, já que os mercados atuam de maneira cada vez mais interligada. Embora Bauru não tenha grandes compradores europeus, também pode ser afetada.”