Em busca de representatividade política, o Centro do Professorado Paulista (CPP) completou 80 anos no mês passado. Em ano eleitoral, a ideia é mostrar à categoria que ela tem condições de eleger até seis deputados estaduais. Com referências na Assembleia Legislativa, a expectativa é superar uma das maiores crises do magistério nestas oito décadas, segundo as informações prestadas pelo presidente da entidade, professor José Maria Cancelliero.
Ele esteve ontem na cidade para receber a moção de aplauso oferecida à entidade pela Câmara Municipal de Bauru. Aproveitou para discutir questões relativas ao pleito de outubro com professores. “Antigamente, o salário era corrigido e hoje não tem correção da inflação. Em 1998 começou o plano de carreira com um reenquadramento que absorveu gratificação. Gratificação não é salário e não contempla os aposentados”, explica Cancelliero.
Na opinião do presidente da entidade, por conta da baixa remuneração, o magistério não atrai mais a juventude. “Jovens com nível universitário não se sujeitam a um salário de R$ 1 mil. Afugenta as melhores cabeças da sociedade que poderiam dar uma educação de qualidade à escola pública”, comenta. De acordo com ele, cálculos do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) demonstram que de 1998 a março de 2010 os profissionais da carreira tiveram uma defasagem salarial de 34,3%.
“Dá a impressão de que o governo do Estado está jogando todo mundo para a escola particular. Mas é a escola pública que atende os alunos carentes (maioria). O governo não recebe os representantes da categoria para discutir”, afirma. A reversão da situação também depende da união dos professores, outro objetivo do CPP, garante Cancelliero. Por meio dela, será possível alcançar êxito junto às urnas. Cancelliero informa que o CPP foi criado em 1930 para atender à categoria como uma representatividade junto ao governo do Estado.
“Mas é uma entidade, não um sindicato. Está preocupado com questões de bem-estar e profissionais. Tem colônias de férias, oferece atividades culturais e recreativas. Também luta por salários dignos, formação continuada, visando a escola pública de qualidade”, diz. Também faz o acompanhamento dos assuntos relacionados ao Instituto de Assistência Médica ao Servidor Público Estadual (Iamspe).
A Secretaria do Estado da Educação refuta todas as informações. Segundo a assessoria de imprensa da pasta, o discurso não tem fundamento. Sempre que solicitada audiência, o governo recebe representantes de todos os sindicatos, informa o órgão.