Rio - O Ministério Público do Rio denunciou (acusou formalmente) ontem, por homicídio culposo (sem intenção) os médicos Nadir Farah e Eduardo Pessoa Farah pela morte da estilista Bruna Bianchi. A morte dela ampliou a disputa judicial pela guarda de seu primeiro filho, Sean Goldman, cujo pai é o norte-americano David Goldman.
Bruna morreu durante o parto do segundo filho, em 2008, quando tinha 34 anos e estava casada com o advogado João Paulo Lins e Silva, seu segundo marido.Também foram denunciados os médicos Marcus Vinicius Guedes Werneck, Izabel de Araújo Nogueira e Sérgio de Oliveira Monteiro. Em nota, o Ministério Público informou que todos faziam parte da equipe médica que, em 2008, fez o parto.
De acordo com a Promotoria, a certidão de óbito aponta que a estilista morreu em consequência de hemorragia pós-parto, atonia e rotura uterina. Relatório da Polícia Civil mostra que a equipe médica foi negligente.
A denúncia foi encaminhada à 25ª Vara Criminal do Rio. O juiz pode aceitá-la e iniciar o processo contra os médicos ou recusá-la, caso em que caberá recurso ao Ministério Público.
Governo vai intervir
O advogado Carlos Nicodemus afirma que o Brasil vai encaminhar pedido ao governo norte-americano para que interceda no caso Sean Goldman, permitindo à família brasileira que visite o garoto. Sean está nos Estados Unidos com o pai, David Goldman, desde de 24 de dezembro, por ordem judicial. Nicodemus representa a família brasileira.
A Secretaria Especial dos Direitos Humanos, órgão do governo federal que recebeu o pedido da família brasileira para interceder no caso, não se manifesta sobre o caso.
Segundo Silvana Bianchi, avó de Sean, desde 2 de março a família brasileira não consegue nenhum contato com o garoto. Ele completa dez anos hoje, dia 25, e pode passar o aniversário sem falar com os parentes brasileiros.
De acordo com Nicodemus, o pedido para que o governo interceda foi apresentado à secretaria há duas semanas. “O documento foi baseado na Convenção de Haia e demonstra que a falta de contato com a família brasileira pode prejudicar a formação de Sean”, diz Nicodemus. Conforme o advogado, o órgão entendeu que o pedido é justo e agora vai encaminhá-lo ao governo norte-americano.
“Espero que os Estados Unidos tenham o mesmo entendimento quando ao pedido, e então o governo de lá vai tomar as providências para que seja permitido o acesso a Sean”, diz o advogado, que estima em um mês e meio o período necessário para a tramitação do pedido. “Espero que, nesse prazo, a família brasileira de Sean esteja visitando o garoto nos Estados Unidos”, diz.