Nos jornais de uns dias atrás uma vergonha estampada. A Câmara de Vereadores de Bauru, através de alguns de seus representantes, está para votar algo odioso, ou melhor, favorecer uma classe abastada que quer continuar devastando a mata de cerrado de forma indiscriminada. Marcelo Borges, um dos representantes do grupo que quer o “liberou geral” em terrenos dentro de áreas de Apas, defende na verdade que não exista mais limitação ou impedimento para derrubada da mata e para a expansão do mercado imobiliário, cada vez mais voraz. De um trecho de fala sua, recheada de ironia, diz que “se você ficar três anos sem limpar um terreno em Bauru ele cresce cerrado. Com a legislação você não pode desmatar”. Na verdade, a intenção é só uma: favorecer os grandes proprietários de terras localizados em áreas impedidas de desmate. Se tudo ocorrer como quer Marcelo Borges e Roberval Sakai, outro a defender o desmatamento ilimitado, podem esquecer de que existiu cerrado um dia por essas bandas, pois num curtíssimo espaço de tempo, tudo será devastado.
Lutar contra isso é algo idêntico à luta empreendida por Dom Quixote contra os moinhos de vento. Uma luta para poucos, alguns abnegados. A Associação SOS Cerrado comprou esta briga e está resistindo como pode. Seu presidente, o advogado Amilton Marques Sobreira, tenta, ao seu modo, demonstrar a irracionalidade dessa aprovação indiscriminada. Segundo ele, em carta encaminhada à imprensa, é probida a existência de loteamentos na maioria dos lugares onde os vereadores querem liberar o “pode tudo”, pois tratam-se de àrea de proteção permanente. Ele afirma que muitos desses loteamentos foram obtidos através de atos ilícitos e o que está em jogo é mais uma vez o interesse imobiliário que quer continuar fazendo dinheiro em grande quantidade, de forma indiscriminada e até fora-da-lei.
Além de divulgar material para a imprensa, Amilton protocolou Ofício junto à presidência da Câmara Municipal manifestando repúdio e solicitando providências no que diz respeito ao desrespeito ao “direito ambiental, hieraquia de leis, loteamentos sub judice com irregularidades que os tornam passíveis até de nulidade de seus registros”. Ficar calado diante de mais essa aberração prestes a ser referendada pelos vereadores locais é mais do que um crime, pois estamos contribuindo para que se continuem lesando de forma desordenada algo já mantido por lei. E se nem as próprias leis são respeitadas, sendo encontradas a cada momento, novas formas de burlá-la, onde chegaremos? O que mais quererão esses que só pensam no uso indiscriminado do lucro como forma de negócio? O basta precisa ser dado de forma contundente por todos os que ainda são possuidores de um pouco de bom senso.
Observando a luta isolada do SOS Cerrado, num momento como esse, produzo esse texto em sinal de solidariedade e contribuição para que não deixemos, mais uma vez, que atos danosos a todos sejam perpretados. Peço a todos que entrem em contato com o sr. Amilton Sobreira, presidente do SOS Cerrado, que está movendo ações contínuas visando barrar de uma vez por todas com esses atos lesivos ao que resta de cerrado em nossa região. Ele pode também repassar cópias do ofício endereçado à Câmara e a Nota à Imprensa. Seus fones 3218.7660 ou 9712.7179.
Henrique Perazzi de Aquino