Tribuna do Leitor

Teatro Varanda, urgente!


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Os artistas que vieram a Bauru para a Virada Cultural Paulista poderiam ter melhor acolhida em nossa cidade. Ná Ozzetti, por exemplo, não pode se apresentar no palco do municipal em função de um atraso insuportável por conta do espetáculo anterior. Este atraso foi um desrespeito não apenas com o artista que veio a Bauru mostrar o seu trabalho, mas também com público que correu para o Municipal na expectativa de conferir o espetáculo “Balangandãs”, que viria recheado de clássicos da música popular brasileira. Para todas essas pessoas que aguentaram horas na fila restou o sentimento de frustração, infelizmente.  

E por falar no público, importante destacar que mais uma vez as pessoas que prestigiaram a Virada Cultural neste final de semana comportaram-se de forma respeitosa em todas as apresentações distribuídas pela cidade. Aliás, foi possível constatar que Bauru tem público suficiente para diversos espetáculos e não apenas para produções de artistas globais e stand!ups da vida que normalmente ocupam o palco do municipal.

Problemas à parte, o poder público precisa tirar algumas lições desse importante evento, e uma delas, talvez a mais importante, seja a necessidade de um iniciar um movimento orquestrado voltado para a democratização do acesso da população às produções culturais. Nos últimos vinte anos a cidade de Bauru cresceu bastante, mas a política cultural tem sido a mesma, salvo algumas conquistas a duras penas pela classe artística.

E a população não pode ficar a merce apenas desses grandes eventos como a Virada Cultural, porque são acontecimentos anuais. Parabéns ao Governo do Estado pela iniciativa e à Secretaria Municipal de Cultura pelo respaldo de infra-estrutura necessária ao evento, mas é preciso fazer mais. A Virada virou mas já acabou. A partir de agora, é preciso estimular as produções dos artistas locais com parcerias público/privadas, lembrando de convidar e envolver as universidades públicas e privadas instaladas em nossa cidade e, com isso, garantir também o acesso dos estudantes nos eventos organizados pela Secretaria Municipal de Cultura.  De um lado, temos a Unesp com o curso de Artes a todo vapor, repleta de alunos criativos e ávidos por mostrarem o seu talento. Cabe ao poder público oferecer o espaço e a oportunidade do relacionamento com a comunidade, o resultado será visível a curto prazo.

Outra lição que essa gestão à frente da prefeitura pode tirar com a Virada Cultural mudar o ângulo de visão das coisas. É é olhar, definitivamente, para a necessidade de ampliar a utilização do Parque Vitória Régia antes mesmo de pensar em edificar em futuros espaços públicos. O Vitória Régia é belo espaço, oferece fácil acesso e inúmeras vantagens, é um legítimo cartão postal de Bauru, mas infelizmente tem sido sub-utilizado há muito tempo. Pudemos comprovar, via matéria publicada aqui no Jornal da Cidade, que o projeto do parque não foi entregue em sua totalidade - faltou a construção do Teatro Varanda, projeto anexo ao anfiteatro e que precisa sair da gaveta. Está faltando iniciativa e vontade política para viabilizar mais esta criação do visionário Jurandyr Bueno Filho. Tambem será uma oportunidade adequada para homenagear este arquiteto que tanto fez pela cidade.

O projeto do Teatro Varanda poderá sair do papel se os políticos que foram eleitos para defender os interesses do povo não ficassem dedicando tanto tempo aos debates sem grande importância popular e abraçassem de vez esta causa, que é, acima de tudo, de grande importância social. E se apenas isso acontecer na gestão de Rodrigo, teremos finalmente a necessária revitalização do Parque Vitória Régia e mais espaço para viabilizar eventos grandes e pequenos. É uma possibilidade viável e a classe artística merece. Oremos!

Moacir Puga - publicitário

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