A dificuldade que os portadores de diabetes estão enfrentando para a retirada gratuita de materiais necessários para o controle da doença na farmácia mantida pelo Departamento Regional de Saúde 6 (DRS-6), em Bauru, não afeta apenas quem tem direito a receber fitas reagentes para exame de glicemia. Ontem, o JC recebeu informações de que alguns doentes estão recebendo até medicamentos com meses de atraso, como é o caso de Menote Rodolpho, 55 anos.
Segundo relata a amiga Karen Ferrari, desde fevereiro o paciente não consegue retirar - conforme lhe garante um mandado de segurança impetrado na Justiça - o medicamento de nome comercial Zanidip (cloridrato de lercanidipina) 10 miligramas. No início de maio, ele também não obteve o remédio Atacand (candesartana cilexetila) 16+12,5 miligramas e chegou a ficar dois meses sem os comprimidos de Actos 30 miligramas, indicado para o controle glicêmico.
Mensalmente, os três medicamentos custam mais de R$ 350,00 para o tratamento adequado do tipo de diabetes que acomete Rodolpho. Como são imprescindíveis para a estabilização da doença, que não tem cura, ele precisa desembolsar a quantia do próprio bolso.
“A única saída é comprar porque a gente liga lá de duas a três vezes por semana e não consegue falar com ninguém que nos dê respostas concretas. É um descaso sem tamanho. Tem vezes que a gente fica mais de três horas esperando para pegar uma medicação, mas já vi muita gente brigar na recepção e sair de lá sem nada”, reclama Karen.
Na edição de ontem do JC, duas leitoras, parentes de portadores de diabetes, relataram que as irregularidades na entrega dos materiais e medicamentos na farmácia da DRS-6 se tornaram recorrentes há alguns meses. Ontem, a reportagem entrou novamente em contato com a Secretaria de Estado da Saúde para questioná-la sobre os atrasos na reposição dos estoques, mas não houve tempo para que a assessoria de imprensa se manifestasse sobre o assunto.