São Paulo - Em sabatina da Confederação Nacional das Indústrias (CNI) com os presidenciáveis, José Serra (PSDB), Dilma Rousseff (PT) e Marina Silva (PV) defenderam a reforma tributária.
No primeiro encontro com Dilma Rousseff desde que o Datafolha apontou empate entre ambos na corrida presidencial, o tucano José Serra intensificou ontem os ataques ao governo e à adversária petista. A guinada de estratégia teve como palco a sabatina promovida pelos pesos-pesados da indústria nacional.
No encontro, Dilma fugiu do confronto aberto e esboçou novas promessas, como a de 100% da população brasileira tenha renda de classe média.
A uma plateia de cerca de 600 empresários, Serra, Dilma e Marina Silva (PV) falaram separadamente por cerca de uma hora cada um. O evento começou às 9h30 e durou mais de cinco horas.
Como base da sabatina, a CNI (Confederação Nacional da Indústria) havia elaborado documento de 227 páginas em que pedia redução da carga tributária e flexibilização da legislação trabalhista, entre outros pontos.
Dilma
A petista foi a primeira a falar. Listou realizações do governo federal, repetiu promessas e adicionou outras ao repertório, como a de “elevar o piso da renda no Brasil à renda da classe média”.
“Nosso objetivo é que o Brasil seja, no mínimo, de classe média. E que a gente chegue a essa combinação de 100% (da população) se somar classe A, B e C.”
A petista também defendeu a necessidade de professores do ensino básico terem formação universitária.
Na entrevista coletiva, Dilma disse ainda possuir um “grande ativo” com a população. “Eu fiz, eu sei fazer. Eu não só prometo.”
Serra
Em queda nas pesquisas de intenção de voto, Serra, que ouviu antes a esplanação de Dilma, reclamou da falta de embate direto entre os pré-candidatos e criticou a adversária.
“Não entendi a explicação de Dilma quando ela defende política cambial e de juros. Entra governo, sai governo, continuamos com os maiores juros do mundo”, disse -sem dizer se a crítica valia para o governo do PSDB.
Em outro ataque ao PT, afirmou que não há planejamento estratégico do governo na área de infraestrutura. “Qual o problema que existe de gestão? O loteamento político. Tudo está loteado.”
Marina
Marina repetiu as críticas à polarização entre PT e PSDB, com a qual não se “mobiliza o melhor e o maior do Brasil”.
Ela disse que, se eleita, vai manter o câmbio flutuante, o superavit primário e a autonomia do Banco Central, mas disse que “o país precisa aprender a controlar a inflação com outras ferramentas que não a alta dos juros.”