Arealva – O que era para ser mais um dentre tantos partos realizados na Santa-Casa de Misericórdia de Arealva (41 quilômetros de Bauru) acabou virando motivo de curiosidade e surpresa para alguns e alegria em dobro para outros. Desafiando a lógica da natureza, Mariah Felipe do Nascimento veio ao mundo na manhã de ontem pesando 5,750 quilos, o equivalente ao de um bebê de dois meses, e bem acima da média, que varia de 2,5 a 3,5 quilos.
A recém-nascida, que tem 51 centímetros de altura, valor considerado dentro da média, foi a atração do hospital durante todo o dia. Apesar do acontecimento raro, o parto, que terminou às 11h50, foi tranquilo, sem nenhuma complicação para mãe e filha, que devem ter alta amanhã.
Os funcionários da Santa-Casa alegam que, em vários anos de trabalho, nunca presenciaram a chegada ao mundo de um recém-nascido tão grande. A mãe, Jéssica Felipe do Nascimento, 24 anos, que mora na cidade vizinha de Iacanga, conta que, por meio do pré-natal, já imaginava que a filha nasceria ‘grandinha’.
“Eu já sabia que era grande, mas não tão grande assim”, declara. “Eu imaginava que iria chegar a uns cinco quilos no máximo. Todo mundo saiu impressionado”. Ela revela que o seu primeiro filho, que hoje tem cinco anos, nasceu com 4,580 quilos, também acima da média. “Já é de família”, brinca.
Apesar de afirmar que a surpresa pode ser traduzida em alegria em dobro para a família, Jéssica conta que vai ter que renovar todo o enxoval que havia comprado para esperar a chegada de Mariah. “Eu comprei algumas roupas, mas o que comprei está tudo apertado”, diz. “Agora, vou ter que comprar maior”.
O médico plantonista do Pronto-Socorro (PS) da Santa-Casa, Alan Roberto Fagotti Moreira, um dos funcionários que se surpreenderam com o tamanho da recém-nascida, conta que o nascimento de crianças com peso acima da média é mais comum em mães com diabetes.
“É raro você ver uma criança com esse peso. Foi investigado se ela (mãe) era diabética porque é comum, em gestante diabética, nascer criança macrossômica (com excesso de peso), mas ela não era”, explica. “Foi indicada a cesárea pelo tamanho da criança”.
O médico pediatra que acompanhou o nascimento de Mariah, Gleyson Muller, confirma uma maior incidência de gestação de crianças com peso elevado em mães diabéticas, mas afirma que, neste caso, a explicação pode ser dada pela genética, já que existe outro caso semelhante na família.
“Esse fato não é comum. A maioria dos nenês que nascem com mais de quatro quilos costumam ser filhos de mães diabéticas ou de mães que desenvolveram a diabetes durante a gestação. Mas, algumas vezes, são filhos de mães normais, como foi esse caso”, revela.
Segundo o pediatra, apesar dos riscos comuns a esses casos, a cesárea foi um sucesso e a menina nasceu saudável. Contudo, segundo ele, sobretudo nos primeiros dias de vida, a recém-nascida deve ser acompanhada de perto e ingerir grande quantidade de leite para que não desenvolva hipoglicemia (nível baixo de glicose no sangue).
“Principalmente nos dois primeiros dias de vida, a gente precisa fazer um acompanhamento da glicemia do nenê porque aqueles que nascem muito grandes tem uma tendência a ficarem hipoglicêmicos depois que nascem porque estão acostumados com o aporte calórico alto que a placenta fornecia”, explica.