Finalmente, após um ano de procedimentos burocráticos, o Fundo Estadual de Recursos Hídricos (Fehidro) liberou verba para o Departamento de Água e Esgoto (DAE) fazer um estudo definitivo para saber se o córrego Água Parada tem condições de, no futuro, abastecer a população de Bauru.
Pelo contrato assinado anteontem, o Fehidro disponibiliza R$ 104 mil e o DAE, de contrapartida, mais R$ 26 mil para pagar um estudo da tratabilidade da água do córrego na altura do trevo de Tibiriçá.
Ou seja, se a água do córrego captada neste ponto tem condições de ser utilizada para abastecimento humano com o devido tratamento e qual deve ser este tratamento. Mas a análise do Água Parada não começará imediatamente. O DAE agora tem 180 dias para contratar, através de licitação pública, a empresa especializada neste tipo de estudo.
E a empresa vencedora da licitação terá 120 dias, após a assinatura do contrato, para entregar um relatório final informando se o córrego Água Parada tecnicamente tem ou não condições de ser um novo manancial para fornecer água para Bauru. De acordo com o DAE, a vazão é suficiente para complementar o abastecimento da cidade. A dúvida é se que tipo de tratamento a água precisa, se é um processo viável economicamente ou muito caro.
Rio Batalha
Atualmente, 40% da cidade é abastecida pelo rio Batalha, que está no limite da exploração, e os demais 60% por 28 poços profundos que captam água do aquífero Guarani. Portanto, considerando os prazos da licitação e o da execução do estudo, apenas em março de 2011 o DAE saberá se poderá começar a trabalhar para explorar o córrego Água Parada. Se o estudo, que se espera seja definitivo, apontar a inviabilidade de utilizar a água do manancial, a autarquia terá que rapidamente apontar outra alternativa.
Um estudo divulgado em dezembro do ano passado pela Agência Nacional de Águas (ANA) aponta que Bauru precisa, até 2105, de uma nova fonte de abastecimento porque o rio Batalha está no limite. O DAE, que na época garantiu que os dados usados no estudo estão defasados, informa que a cidade precisa sim viabilizar uma terceira fonte de abastecimento, mas porque é o aqüífero que não comporta mais novos poços.
De qualquer forma Bauru precisa de uma nova fonte, para juntar-se ao Batalha e aos poços, para que, no futuro, não falte água na cidade.
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Perfuração de novos poços não é indicada
O projeto para que o Fehidro financiasse o estudo no Água Parada foi aprovado em maio do ano passado numa reunião do Comitê da Bacia Hidrogáfica Tietê-Batalha, da qual Bauru faz parte. Foi elaborado pelo então presidente do Fórum Pró-Batalha e assessor de Gabinete do DAE, Ivan de Marche, que faleceu no final do ano passado.
Entre 2001 e 2003 Bauru precisou fazer, em períodos de seca, rodízio de abastecimento porque o rio Batalha estava secando. Nos últimos anos, após a ampliação da lagoa de captação e talvez já resultado da revegetação das margens, o rio manteve seu nível de água estável, inclusive em períodos de seca.
Porém, estudos técnicos mostraram que a perfuração de novos poços para retirada de água não é indicada sob risco de tornar-se exploração predatória do aquífero Guarani e prejudicar poços já em uso. Além dos 28 poços profundos em operação, o DAE tem outros quatro aposentados por não terem mais vazão suficiente para exploração.
Se o Água Parada for considerado viável para abastecimento humano, o DAE iniciará estudos para captar a água e tratá-la. O problema é que a obra é considera cara: custaria pelo menos R$ 12 milhões.