Regional

Avião é encontrado pegando fogo

Lilian Grasiela
| Tempo de leitura: 4 min

Bocaina – A Polícia Civil de Bocaina (69 quilômetros de Bauru) instaurou inquérito para apurar o incêndio de um monomotor Cessna ocorrido ontem de manhã na Fazenda Diamante, zona rural da cidade. O que mais intriga as autoridades é o fato dos ocupantes terem desaparecido. A suspeita é de que o avião tenha caído durante pouso ou decolagem, mas ainda não se sabe se o fogo teve início após o acidente ou se foi intencional.

A fazenda onde o monomotor foi abandonado pertence à Usina Santa Cândida, do grupo Tonon Bioenergia. No início da manhã, funcionários da empresa que trabalham na colheita da cana teriam avistado fogo no canavial e, ao chegar ao local, se depararam com o avião em chamas. O incêndio foi contido com a ajuda de caminhões-pipa da usina. Para que o fogo não se alastrasse, foi necessário improvisar uma espécie de barreira na plantação.

As versões apresentadas pelas testemunhas são conflitantes. A cerca de dois quilômetros de onde o monomotor foi encontrado, há uma pequena pista de pouso pertencente à usina. Segundo o delegado de polícia de Bocaina, Gustavo Alonso Garmes, alguns funcionários alegam que o avião tentou descer, não conseguiu e arremeteu. Outros, no entanto, dizem que ele chegou a pousar e caiu no momento em que tentava decolar.

“A gente não sabe como o avião foi parar daquele jeito porque não tem cana derrubada”, diz. De acordo com ele, somente o relatório da Aeronáutica e a perícia feita pela polícia técnica poderão indicar as reais causas do acidente. Além disso, ele conta que irá ouvir testemunhas para poder esclarecer pontos divergentes detectados nas apurações preliminares.

O titular da Delegacia de Investigações Gerais (DIG) de Jaú, Edmilson Bataier, que apoia a delegacia de Bocaina nas investigações, acredita que o acidente tenha ocorrido durante tentativa de decolagem do avião. “Denota-se que ele possa ter pousado ali e na hora de ir embora teve alguma pane, tentou arremeter, não deu certo e acabou caindo num carreador de cana”, afirma.

Segundo ele, todas as versões serão investigadas com base no relatório da Aeronáutica, já que as circunstâncias do acidente ainda estão repletas de mistérios e especulações. “Chama a atenção o fato de que não havia nenhuma vítima no local. Denota-se que o ocupante ou os ocupantes fugiram do local possivelmente com o apoio de alguém que aguardava em terra”, declara.

O comandante do 27.º Batalhão da PM, capitão Willian Padovini, também confirma o mistério em torno do caso e explica que todas as informações levantadas até o momento ainda não podem ser consideradas oficiais. “Na verdade, para nós, é uma verdadeira incógnita”, diz. “Os funcionários, segundo alguns relatos, teriam visto esse avião sobrevoando bem baixinho por volta das 8h30. Logo em seguida, eles já viram ele pegando fogo na cana”.

De acordo com Padovini, até mesmo a origem das chamas é alvo de várias especulações. “A gente presume que o avião tentou pousar na pista, não conseguiu e acabou caindo na cana”, pontua. “O que a gente não sabe é se ele pegou fogo espontaneamente em razão do pouso ou se realmente confirma a informação de que os ocupantes teriam ateado fogo”.

O capitão revela que algumas testemunhas teriam visto indivíduos retirarem produtos do monomotor, atearem fogo no avião e, em seguida, fugirem em uma Saveiro e um Corsa em alta velocidade pela rodovia Comandante João Ribeiro de Barros (SP-255), sentido Araraquara. “Como não tinha nenhum corpo próximo e ninguém deu entrada em hospitais, a gente presume que o piloto talvez tenha fugido com os veículos”, avalia.

Os hospitais da região foram orientados a acionar a polícia no caso de atendimento de pacientes com queimadura ou algum tipo de lesão mais grave sem justificativa para que a situação seja averiguada.

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Identificação

Até mesmo a verdadeira identificação do monomotor é alvo de investigação da polícia. Segundo o comandante do 27.º Batalhão da PM, capitão Willian Padovini, não foram encontrados documentos no interior da aeronave. Os dados de uma placa com o modelo e número de série do avião foram repassados à Aeronáutica para que seu proprietário seja identificado.

“O prefixo que está estampado no avião é um prefixo do Paraguai”, afirma. “Só que pudemos perceber que esse prefixo está sobreposto a um prefixo antigo que a gente não conseguiu identificar”. Busca realizada pelo Jornal da Cidade junto à Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) usando o modelo e número de série do monomotor incendiado revelou que não há registros do avião no órgão.

Segundo o comandante, o Departamento de Aviação Civil (DAC) não irá fazer perícia no local por não se tratar de voo controlado pela Anac. Contudo, um representante do Serviço Regional de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Seripa) estará hoje na fazenda para fazer um relatório sobre o acidente.

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