Em reunião realizada ontem, um acordo entre representantes da Secretaria Municipal de Saúde (SMS) e Associação Hospitalar de Bauru (AHB) deve pôr fim ao impasse que prejudicava o atendimento ambulatorial prestado pelo Hospital de Base (HB) na área de ortopedia. Em razão de uma discordância entre as partes, que têm convênio firmado, pacientes de casos considerados leves encaminhados pelo Pronto-Socorro Central (PSC) vinham recebendo atendimento incompleto no hospital, conforme divulgou o JC nesta semana.
No encontro de ontem, que também contou com a participação da diretora do Departamento Regional de Saúde (DRS-6) de Bauru, Doroti Vieira Alves Ferreira, definiu-se que um novo protocolo de atendimento em traumatologia será estabelecido para que os pacientes possam ser tratados apropriadamente. A SMS também concordou em repassar recursos, que devem girar em torno dos R$ 13 mil mensais, para auxiliar no pagamento de salários de funcionários extras e na compra de materiais para a sala de gesso.
No início da próxima semana, o município e a AHB devem se reunir novamente para concluir a redação do protocolo e a expectativa é de que, em duas semanas, o atendimento no HB seja normalizado. “A secretaria municipal acabou reconhecendo que fazia uso do Hospital de Base sem fazer o ressarcimento financeiro por alguns materiais e mão-de-obra para a imobilização do trauma desses pacientes”, aponta o diretor técnico da AHB, Aparecido Donizeti Agostinho.
Ele também destaca que o acordo irá decretar o fim de “uma mentalidade equivocada existente no Pronto-Socorro”, que encaminhava muitos casos crônicos para o ambulatório do hospital, o que se tornou um problema para dar vazão à demanda de pacientes de urgência. “É uma situação que existiu por muitos anos, mas chega uma hora que é preciso começar a fazer a coisa certa.”
A partir do novo acordo, todos os casos de urgência em ortopedia que chegarem ao PSC, como fraturas e entorses, simples ou graves, serão tratados no ambulatório do HB. Já os casos crônicos, como lombalgias ou tendinites de longa data, deverão ser agendados no Ambulatório Médico de Especialidades (AME).
Outras tarefas burocráticas, cuja responsabilidade também foi motivo de intensas discussões, agora ficarão, em definitivo, a cargo do município. Conforme já veiculado no JC, a direção da AHB se queixava do fato de os médicos do PSC não preencherem as comunicações de acidente de trabalho e não fornecerem atestados médicos com prazo superior a três dias.
À reportagem, o secretário Fernando Monti chegou a afirmar que o procedimento deveria ser executado pelos profissionais do hospital. Depois da reunião, voltou atrás em nome da “disposição de participar da construção de um protocolo conjunto no sentido de melhor atender a população”.
Para ressarcir o HB pelos gastos com material e mão-de-obra nos procedimentos de estabilização de traumas, como a confecção de gesso, Monti adianta que um convênio adicional terá de ser firmado com a AHB. “O valor ainda não foi estabelecido. Em outro momento, a secretaria chegou a autorizar um repasse de R$ 13 mil mensais à associação, baseado na demanda existente. Mas agora teremos de avaliar a viabilidade jurídica e a planilha de custos”, pondera.