O senador Romeu Tuma (PTB), que esteve ontem em Bauru para participar de encontro com membros do diretório municipal em comemoração ao aniversário de 65 anos do Partido Trabalhista Brasileiro, reagiu que as denúncias sobre suposta ligação entre seu filho, o secretário Nacional de Justiça, Romeu Tuma Júnior, e um dos chefes da máfia chinesa no Estado, Li Kwok Kwen, ou Paulo Li, têm como objetivo desmoraliza-lo.
A Polícia Federal (PF) teria interceptado ligações telefônicas entre Tuma Júnior, que também é presidente do Conselho Nacional de Combate à Pirataria, e o chinês, este último preso desde o ano passado por formação de quadrilha e descaminho, acusado de trazer ao Brasil, de forma ilegal, celulares falsificados da China para venda nas ruas centrais da capital e Nordeste. Ele também é suspeito de agenciar a regularização de chineses ilegais no país.
Embora prefira não citar nomes, o senador afirma não ter dúvidas de que as denúncias contra seu filho têm a intenção de atingi-lo. “Eu não tenho dúvida nenhuma. Tanto é que ele (Tuma Júnior) não se acovardou”, diz. “É uma coisa inaceitável você querer ganhar uma campanha tentando desmoralizar os outros. Não tem uma das colocações que foram feitas que tem prova, tanto é que o Ministério Público declarou que não tinha nada contra ele no processo. Ele pediu vistas e a juíza disse que não poderia dar porque ele não era parte”.
Ao avaliar a situação colocando-se como pai, Tuma mostra-se confiante no trabalho do Judiciário e diz que seu filho vai provar sua inocência no episódio. “Como pai, é claro, eu tenho um amor profundo pelo meu filho, um respeito enorme. Ele tem 30 anos de profissão, escolheu porque quis, é a vocação dele, trabalhou todo esse tempo, foi convidado pelo presidente para assumir a secretaria pelo passado e pelo currículo que ele tinha e, repentinamente, começaram a lançar uma campanha para tentar me atingir”, desabafa.
Traição
O senador Romeu Tuma prefere não acusar formalmente de traição o PSDB por descumprimento de acordo com o PTB para a oferta de uma vaga no Senado nas eleições de outubro, em troca de apoio político na coligação. Tuma seria o dono da vaga na aliança com os tucanos costurada pelo presidente estadual petebista, deputado Campos Machado. Mas ela já negociada com o ex-governador Orestes Quércia (PMDB), legenda que integrou a aliança com o PSDB no Estado, embora, em Brasília (DF), esteja junto com os petistas.
Segundo entendimento do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), as coligações estaduais só podem lançar dois candidatos ao Senado. Em São Paulo, o PSDB está coligado com o DEM, que indicou o vice, o PMDB, que negociou uma vaga para Quércia, e tem o apoio do PTB, que tenta emplacar Romeu Tuma.
Contudo, a última vaga deve ser de Aloysio Nunes Ferreira, ex-chefe da Casa Civil, do PSDB. Para permanecer na aliança, o PTB teria que abrir mão da candidatura de Romeu Tuma, o que parece improvável, ou lançar uma candidatura avulsa ao Senado. Um possível abandono ao PSDB por parte da legenda, ao que tudo indica, também parece distante.
“Eu realmente prefiro ficar quieto porque o Campos Machado diz que foi traído. A conversação dele e do Roberto Jefferson com o partido era tranquila. Você vê que o Geraldo foi candidato e o PTB aguentou a mão o tempo integral. O Campos diz que ele foi derrotado pelo PSDB 2”, diz. “Ele (Geraldo) tem o Aloysio Nunes, que lutou para ele não ser candidato, o Quércia, que lutou para derrotá-lo. Então, ele está bem escoltado”, ironiza.
O senador não descarta uma suposta “candidatura avulsa” ao Senado, mas diz que isso só vai ser decidido na convenção do PTB. “Nós vamos continuar a luta. Eu acredito que a vocação do partido é conseguir crescer para ter uma candidatura ao Executivo nas próximas eleições”, desconversa. “E você tem que eleger uma boa bancada de deputados federais”.
O pré-candidato ao Senado revela que a legenda recebeu convites para compor alianças com praticamente todos os partidos. “Só que o Campos tinha um compromisso com o Geraldo e não quer abrir mão disso”, diz. “Não é humilhação e nem covardia não sair sozinho. Nós podemos sair sozinho, enfrentar, e ter a melhor coligação do mundo. Se o povo aceitar, não precisa de nenhuma outra”.
Romeu Tuma não teme um possível questionamento da Justiça em relação à sua candidatura. “O que pode ser questionado é a coligação branca (quando um partido faz propaganda dos candidatos de outro sem que esteja coligado a ele). A minha não porque ela é legal, é uma conduta que a coligação confirma ou não”, afirma.
“Se o partido optar, na convenção, que eu sou o candidato, é indiscutível, não há como rejeitar por não ter candidato cabeça de chapa. Eu vou ser, em tese, o candidato que vai ser trabalhado por todos os candidatos a deputado estadual e federal e a militância. Me sinto muito feliz e com muita coragem de enfrentar”.
Toque de recolher
A implantação do chamado toque de recolher em Bauru, que viria para prever limite de horário para que jovens com menos de 18 anos, desacompanhados dos pais, permaneçam nas ruas durante a noite, foi alvo de críticas por parte do senador Romeu Tuma, que também é ex-superintendente da Polícia Federal.
“Eu sou contra qualquer cerceamento de liberdade ao cidadão. Como o crack está aí e a família está perdendo o controle da juventude, alguns juízes da Infância e Juventude têm procurado alguma forma de recolher essas crianças. Mas isso não está adiantando”, diz. “O Estado tem que oferecer condições de trabalho para que essa juventude não comece o vício do crack”.
Uma das opções, segundo ele, seria a oferta de projetos sociais que estimulem nas crianças e jovens o desejo pela prática de esportes. “Com saúde, o menino sabe que vai ter chance. O Governo tem que financiar e criar cada vez mais centros para arregimentar essas crianças e essa juventude. Não adiante proibir”, avalia.
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Fortalecimento do PTB
Durante o evento em comemoração aos 65 anos do PTB, o senador Romeu Tuma destacou a importância da legenda na defesa dos direitos dos trabalhadores, luta iniciada pelo ex-presidente Getúlio Vargas. “O slogan do próprio partido já demonstra que é um partido que tem a história que todo mundo gostaria de ter”, explica. “Todos os outros trabalhistas decorrem da idéia do Getúlio Vargas ao fundar o partido”.
De acordo com ele, nos últimos dois anos, o PTB foi o partido que mais cresceu no país após um período de dificuldades. “Em São Paulo, sem dúvida nenhuma, é hoje quase que o maior partido e nós esperamos que essa militância realmente nos dê a coligação forte que precisamos para conseguirmos a vitória nas eleições agora de outubro”, anuncia.
O presidente municipal do PTB e pré-candidato a deputado federal pela legenda, Ricardo Oliveira, também ressalta esse fortalecimento e enumera conquistas importantes do partido ao longo dos anos como a criação do salário mínimo, férias remuneradas, décimo terceiro, Previdência Social, Petrobras, voto feminino, Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), ensino profissionalizante, entre outras.
“Nós entendemos que a história do PTB é uma história muito rica”, afirma. “É uma história que não pode ser esquecida. E nesse momento, o PTB vem de uma situação de se reencontrar com a grandeza do seu passado”. Segundo ele, o PTB é o único partido presente em todos os municípios no Estado de São Paulo por meio de 645 diretórios municipais e 28 escritórios regionais.