Regional

ONG de São Manuel debate hepatite C em seminário realizado em navio pelo Tietê

Rita de Cássia Cornélio
| Tempo de leitura: 2 min

Num passeio pela Hidrovia Tietê-Paraná, a bordo do navio-hotel Xumbury, foi lançado o Programa São Paulo de prevenção da hepatite C na data da comemoração do Dia Mundial de Combate às Hepatites Virais, em 21 de maio em Barra Bonita. A iniciativa foi da Organização Não Governamental (ONG) “Tem que saber C Tem que Curar” que desde 2004 luta para que a detecção precoce da doença seja o melhor caminho para a cura.

Com os números alarmantes de portadores, algo próximo de 500 milhões de pessoas no mundo, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS) e quatro milhões no Brasil, ou seja, em cada 50 brasileiros um tem hepatite C e nem desconfia disso. A doença é silenciosa, age durante aproximadamente 20 anos sem mostrar suas ‘garras’. Sem sintomas, ela só aparece quando está no estágio avançado e pode levar à morte. No País, a hepatite C é responsável por 12 óbitos/dia.

Para mudar esse panorama negativo, a ONG investe na conscientização das comunidades, especialmente no público-alvo, pessoas com idade acima de 40 anos. O grupo de risco é formado por pessoas que receberam sangue antes de 1993 por transfusão, fizeram tatuagens, foram vítimas de material perfurocortante não esterilizado ou ainda que usaram drogas lícitas ou ilícitas compartilhadas.

O fundador da ONG, Francisco Martucci, frisa que os testes para detecção da hepatite C começaram em 1993. “Quem por algum motivo recebeu sangue antes deste ano tem 50% de chance de ser um portador. Há aqueles que usaram Gluconergan, na veia, um tipo de energético de forma compartilhada e as pessoas que compartilharam alicates de unha sem os devidos cuidados. O sangue contaminado é a rota do vírus.”

A infecção aguda pelo vírus C progride para a cirrose, segundo o médico especialista no

assunto e coordenador do polo da Unesp/Botucatu, Giovani Faria Silva.

“As complicações da infecção aguda pelo vírus C são as mesmas da cirrose. Cerca de 50% das pessoas com hepatite crônica vão desenvolver cirrose, 20% a 25% em 20 anos de infecção. Os outros 25% a 30% em 40 a 50 anos. Estimamos infectados pelo vírus C em torno de 2 a 3 milhões de pessoas. Não temos uma pesquisa que nos dê uma exatidão,” diz o especialista.

Mas nem tudo é má notícia. A ONG C “Tem que saber C tem que Curar” juntamente com um grupo de portadores da doença de São Manuel e médicos do Hospital das Clínicas de Botucatu lutam para reverter a situação. “Temos um polo na Unesp/Botucatu que alcançou nível de cura em torno de 52%. Nos Estados Unidos é de 42% e na Europa 46%.”

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