O presidente da frente parlamentar das Hepatites Virais, promotor de justiça e atual deputado estadual Fernando Capez (PSDB) tem uma tese sobre a falta de investimentos dos poderes públicos para detecção precoce da hepatite C. Ele acha que se houvesse uma campanha nacional, o governo não conseguiria atender a demanda.
“Não há nenhum interesse dos poderes públicos em fazer uma campanha para informar essas pessoas dos riscos da hepatite C e da importância da detecção precoce. Se for detectado um número muito maior de pessoas infectadas aumentaria a demanda por atendimento de forma repentina e o poder público teria que se readequar para atender essas pessoas.”
Ele frisa que quando a descoberta do portador do vírus é precoce há chance de cura e o tratamento é de menor custo. “Quando você detecta essa doença em estado avançado o custo é muito maior. Ocorre que o número de pessoas que vão detectar em estado avançado e vão procurar atendimento é muito menor do que se fosse feito uma campanha gigantesca. Se de repente fosse descoberto quatro milhões de pessoas infectadas, o sistema não teria como atender. O que acontece hoje é que conforme vai surgindo o sintoma, o paciente procura o serviço de saúde e eles atendem no varejo.”
Para o parlamentar, o grande desafio é esses pacientes fazerem a detecção precoce. “A ONG precisava de uma pessoa capaz de mobilizar segmentos, setores e massas para divulgar a importância de se descobrir a presença do vírus C antes da fase aguda. Escolheram eu e hoje estou viajando o Interior paulista e o Brasil, levando essa mensagem.”
Até pouco tempo as pessoas não tinham acesso ao tratamento de saúde, tinham que entrar na justiça para conseguir ser tratadas pelo SUS. Hoje já são. O avanço é creditado à ação das ONGs, segundo o deputado. “O que precisamos é aumentar a capacidade de atendimento. Atualmente, só uma em cada 400 portadores conseguem tratamento pelo SUS. É uma conta que mostra como o governo ainda não acordou para a gravidade desse problema. É necessário mobilização constante para conquistar isso. Queremos que seja dado o atendimento a todos os necessitados.”
Capez ressalta que os governos dizem que a capacidade é plena e eles conseguem atender a todos, portanto não há necessidade de aumentar a capacidade. “Mas se a gente for buscar os pacientes que nem sabem que são portadores da doença, vamos ter um número muito maior e consequente aumento na demanda, então vai surgir uma pressão natural. Os poderes públicos estão em uma posição muito cômoda.”
Número maior de portadores pode ser sinônimo de novos problemas avisa o médico Giovanni Faria da Silva. Ele é enfático em dizer que não falta medicamento e nem profissional habilitado para tratar a hepatite C. Porém, há falta de diagnóstico precoce. Para ele, se um número maior de pacientes forem descobertos, surgirão outros problemas. “Hoje não temos falta de medicamentos e nem de profissionais. Mas, se a demanda aumentar muito, haverá falta de medicamento e profissionais.”
Segundo ele, atualmente no Brasil, especialmente no Estado de São Paulo, o paciente que tem o diagnóstico não encontra muitas dificuldades, com raras exceções. “Se o primeiro teste for confirmado ainda é necessário um exame de biologia molecular para ratificar a presença do vírus no organismo. Confirmada a infecção no fígado, faz-se uma biópsia.