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Especialista estima que Brasil pode ter 500 mil com cirrose

Rita de Cássia Cornélio
| Tempo de leitura: 3 min

A hepatite C é conhecida como uma doença silenciosa. Pode demorar 20 ou mais anos para aparecer. O trajeto da infecção aguda até a cirrose é assintomático, silencioso, o que justifica a preocupação com a detecção precoce.

Segundo o especialista Giovanni Faria Silva, sabe se que mais ou menos 50% das pessoas com hepatite C crônica vão desenvolver cirrose. De 20 a 25% em 20 anos de infecção. “Os outros 25% a 30% em 40 a 50 anos. Estimamos infectados pelo vírus C em torno de 2 a 3 milhões. Não temos uma pesquisa que nos dê uma exatidão. Se tivermos dois milhões de pessoas, pacientes infectados até o início da década de 90, devemos ter atualmente no Brasil e nos próximos anos, cerca de 500 mil pessoas com cirrose hepática, um número assustador.”

Estudos clínicos comprovam que mais 5% ao ano das pessoas com cirrose pelo vírus C podem apresentar uma descompensação. É quando elas passam a vomitar sangue por causa da ruptura das varizes do esôfago. “Podem ainda apresentar água na barriga. Podem ter encefalopatia hepática que é uma doença neurológica causada pela cirrose. Uma vez apresentando essa descompensação temos dificuldades em tratar o vírus. Nessas condições muitos pacientes não reagem bem e a eficácia da medicação é baixa.”

Esses pacientes, segundo Silva, terão a indicação de transplante. “No Brasil ocorre num número aproximado de 1.200/ano, ou seja, se temos um número tão elevado de doentes muitos poderão morrer sem ter a chance de passar por um transplante que poderia curá-los.”

A maior dificuldade do transplante de fígado continua sendo doador, frisa o médico Osvaldo Franceschi Junior. Para ele, as técnicas operatórias se aperfeiçoaram e não há maior problema para o transplante de fígado do que a ausência de doadores. Ele é o atual prefeito de Jaú e acha que a solução desse problema são campanhas educativas. “As famílias precisam se sensibilizar. Quando um integrante dela tiver morte encefálica, vítima do trânsito ou de morte que não afete o órgão, faça a doação.”

De acordo com ele, a falta de doadores ocorre com todos os órgãos do corpo humano. “Temos dificuldade de doação de pele, carne, osso, pâncreas e outros. No Estado de São Paulo fazemos em média de 5 a 6 mil transplantes/ano. Cerca de 3 mil são de rim, os outros 3 mil dividem entre todos os órgãos. Estamos com uma média de 1.000 a 1.200 pacientes transplantados no Estado. São Paulo faz 50% dos transplantes. Dos 27 Estados somente 13 são capacitados para fazer.”

Hepatite C no mundo

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o vírus da hepatite C já contaminou entre 170 e 200 milhões de pessoas no mundo. No Brasil, o Ministério da Saúde admite que cerca de 4 milhões de pessoas podem estar contaminadas, mas a OMS estima que este número seja bem maior.

A hepatite C é causada por um vírus que ataca o fígado. Na maioria das vezes destrói o órgão, ocasionando cirrose e câncer hepático. A evolução do dano hepático varia de pessoa para pessoa podendo levar até 20 anos para a manifestação. Detectada precocemente, a doença tem tratamento, inclusive gratuito, e cura.

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