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Medula: menino de 2 anos pede doador

Bruna Dias
| Tempo de leitura: 6 min

Coincidência ou destino? Antes Gabriela e agora Gabriel. Ela com leucemia linfóide aguda e ele com outro subtipo da mesma doença: mielóide aguda. Ambos se agravam rapidamente. Duas pessoas cheias de vida e vontade de superação que não conseguiram doadores familiares compatíveis para que recebessem transplante de medula óssea e pedem ajuda. A história da jovem Gabriela Castro, de 14 anos, foi retratada pelo Jornal da Cidade na edição do dia 13 de maio e moveu muitos doadores ao Hemonúcleo de Bauru interessados em se cadastrar no banco de medula óssea para possível doação. (leia mais abaixo)

A mãe, Herselene Pereira, começou a desenvolver menopausa precoce aos 35 anos. Diagnósticos médicos mostravam que dificilmente ela poderia ter filhos. Mas ela não desistiu e, mesmo fazendo tratamento de reposição hormonal, engravidou de Gabriel aos 41 anos. Apesar da gravidez de alto risco, a vontade de ser mãe falou mais alto.

O bauruense Gabriel Pereira Sanchez nasceu especial, portador de síndrome de Down. A mãe sabia que o caminho não seria fácil. “Quando eu fiquei sabendo que ele era Down já sabia que poderia ter sido consequência da minha gravidez de risco e que ele teria imunidade mais baixa”, contou a mãe.

Até o final do ano passado, o menino não apresentava sintomas da doença. Um pedido de exames de rotina constatou que o número de plaquetas dele estava abaixo do considerado normal. “Eu levei um susto porque a médica já suspeitou que era leucemia. Em seguida ela pediu para ele fazer exames mais específicos”, relata a mãe.

Em 23 de dezembro, quase véspera de Natal, foi constatado que ele era portador de leucemia mielóide aguda. “A médica já mandou eu levar uma mala com roupas porque se o teste desse positivo ele ficaria internado”, conta Herselene. Em seguida o menino foi submetido ao primeiro ciclo da tão temida quimioterapia no Hospital Amaral Carvalho na cidade de Jaú.

Esperança

A mãe, bancária, teve que se afastar do emprego para dedicar sua atenção e amor ao filho. “Eu tirei todas as licenças e férias possíveis para dedicar meu tempo a ele. A quimioterapia é muito forte e às vezes ele tem muito vômito e diarreia”, conta a mãe.

O brilho nos olhos do menino esperto não dá margem a dúvidas, ele tem muita vontade de viver. Filho único, ele também é o único neto da vovó Rosalva Sanches. “Ele é uma alegria só. Enquanto esteve internado ele encantava a todos no hospital desde a faxineira ao cirurgião”, enfatiza a mãe.

Apesar da síndrome de Down, Gabriel é um menino normal. A diferença é que ele tem um pequeno atraso na fala. “Ele entente tudo. Sabe quais são os membros do corpo, animais, gesticula”.

Hoje a doença está estabilizada devido ao tratamento, entretanto ele precisa tomar quatro injeções medicamentosas subcutâneas que também fazem parte do controle da doença. “Eu peço ajuda porque ele é tudo pra mim. E se o doador não for compatível a ele pode ser a outra pessoa. Eu vou tentar promover uma campanha entre os amigos de onde trabalho”, pede a mãe com lágrimas nos olhos.

Herselene relatou que quando estava no processo de gravidez de Gabriel, o local onde trabalha desenvolveu uma campanha de doação de medula óssea. “Eu até queria doar, mas não podia por causa da gravidez”, relatou.

Quando o menino nasceu ela ainda pensou em guardar o cordão umbilical em caso de precisar futuramente de um tratamento com células-tronco. “Eu pensei em guardar mas aqui não tinha um órgão que recolhesse e armazenasse para utilizar futuramente”, justifica.

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Caso Gabriela gera aumento de 58% de doadores em Bauru

Após a matéria publicada no início do mês pelo JC, que trazia a história de Gabriela Castro, uma garota de 14 anos cheia de perspectiva de vida e futuro que luta contra uma leucemia linfóide aguda, muitos doadores de Bauru se cadastraram no banco de doadores do Hemonúcleo de Bauru.

De acordo com a enfermeira Telma de Carvalho, responsável pelo órgão, o número de pessoas cadastradas aumentou significativamente. Um crescimento de 58% em relação ao mesmo período do ano passado. “Eu acredito que tenha sido devido a repercussão do caso da Gabriela. Nós tínhamos um registro de cerca de cinco doadores por dia. Desde que a matéria foi divulgada esse número aumentou de 10 a 11”, afirma Telma.

Em contato com Eliane Castro, a avó de Gabriela, pelo telefone ela disse que muitos amigos vieram de outras cidades para fazer o cadastro em Bauru. “Muitos amigos meus vieram de outras cidades para se cadastrar já que o hemonúcleo das suas cidades não faz esse tipo de coleta”, conta.

Ela disse que a garota estava em casa aguardando para fazer novamente mais um ciclo de quimioterapia. “Hoje ela passou por uma consulta e em breve deve voltar para a quimioterapia. É necessário estar com a imunidade mais alta para voltar ao tratamento”, explica a avó.

Demora

Eliana reclamou da demora para o cruzamento de dados no Brasil. “Eu fiquei sabendo que demora quase 2 meses para sair o resultado da compatibilidade do banco. É muito tempo”, reivindica.

De acordo com a enfermeira Telma, após a coleta do sangue em Bauru, por exemplo, o sangue segue para o Instituto Lauro de Souza Lima, ainda na cidade, onde é feita a análise genética de compatibilidade (veja quadro). “Esse processo demora de 7 a 10 dias. Em seguida o resultado vai para o Registro Nacional de Doadores de Medula Óssea (Redome) que armazena esses resultado e faz o cruzamento de dados de doadores e receptores”, explica.

O número de doadores cadastrados, apesar de ser insuficiente, passa de 250 mil, segundo o Instituto Nacional do Câncer (INCA). Em consequência de ser um banco nacional o processo de verificação de compatibilidade é mais demorado.

No caso de doadores não-parentes eles obedecem a regra de entrarem diretamente no Redome, ou seja, não podem se sujeitar a doar a medula especificamente a uma determinada pessoa.

Fila

Para receber a doação de alguém cadastrado no banco nacional também é necessário obedecer a fila de espera. “Por exemplo, se houver uma pessoa interessada antes da Gabriela que precisa de um mesmo doador compatível ela tem direito de receber primeiro”, explica a enfermeira Telma.

• Serviço

As pessoas sensibilizadas com a necessidade de doação devem procurar o Hemonúcleo de Bauru, na rua Monsenhor Claro, 8-80, Centro, das 7h às 11h30 e das 14h às 16h, de segunda a sexta-feira. É necessário apresentar RG.

Os futuros doadores devem deixar cadastrados também o telefone fixo de dois parentes próximos. Para quem mora em outra cidade, o procedimento é o mesmo. É preciso confirmar o horário de coleta de cada órgão.

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