O amistoso de quarta-feira, contra o Zimbábue, é mais um capítulo na minuciosa preparação da seleção brasileira para o que, na teoria, deve ser o jogo mais fácil do time na Copa do Mundo da África do Sul. Na sua estreia no Mundial, no próximo dia 15, em Johannesburgo, o Brasil vai enfrentar a Coreia do Norte, ausente do principal torneio do planeta desde 1966 e que ocupa a modesta 105ª posição no ranking da Fifa.
Mas Dunga aproveita a preparação para moldar seu time a um estilo de jogo bem diferente do apresentado nos quase quatro anos de sua gestão. Ontem, em mais um dia de trabalho forte, Dunga fez um treino em que seu time titular marcava por pressão, no campo do adversário, a equipe reserva. Essa tática é comum quando um time forte enfrenta um rival de nível bem pior e que costuma jogar na retranca. Normalmente, o Brasil do capitão de 1994 espera o adversário no seu campo para recuperar a bola e, então, contra-atacar.
Além das práticas em Johannesburgo, o treinador brasileiro terá dois amistosos para azeitar a estratégia para a partida contra os norte-coreanos. O time do Zimbábue é outra seleção de resultados ruins (está em 110º lugar na lista da Fifa) e tem experiência insignificante contra rivais de tradição. “Não conheço nada da seleção deles”, afirmou o volante brasileiro Felipe Melo, sobre o oponente. O outro adversário dos comandados de Dunga será a seleção da Tanzânia, a 108ª equipe mais gabaritada do mundo hoje, segundo ranking da federação internacional.
Sem mudanças
O técnico Dunga parece já ter definido a escalação do Brasil para o amistoso contra o Zimbábue. No coletivo de ontem, o treinador não fez mudanças na equipe titular, que empatou por 0 a 0 (mesmo resultado de domingo). A atividade contou com um lance irreverente.
Já com a movimentação próxima do fim, Kaká sofreu uma falta de Daniel Alves e caiu. Ao levantar, o meia foi cumprimentado pelo lateral e, na sequência, aproveitou para dar também um abraço em Felipe Melo, rindo e posando para fotos na direção dos jornalistas. O gesto fez referência a notícias divulgadas na Itália de que Kaká e Felipe Melo teriam se desentendido na sexta-feira por conta de uma falta sobre o atleta do Real Madrid. No entanto, o volante desmentiu a polêmica ontem.
Já em relação ao time, Dunga repetiu a escalação usada no domingo: Júlio César, Maicon, Lúcio, Juan e Michel Bastos; Felipe Melo, Gilberto Silva, Elano e Kaká; Robinho e Luís Fabiano. Já os reservas foram formados com Doni, Daniel Alves, Luisão, Thiago Silva e Gilberto; Josué, Kleberson, Ramires e Júlio Baptista; Nilmar e Grafite. No decorrer da atividade, Gomes assumiu a posição no gol dos suplentes.
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Melo admite semelhança com Dunga como volante
Volante, forte na marcação, contestado por parte da torcida e com personalidade para rebater críticas. As características poderiam ser atribuídas a Dunga durante seu período em campo, mas cabem exatamente agora para Felipe Melo, homem de confiança do treinador na Seleção Brasileira. Durante entrevista coletiva em que permeou piada com reclamação, Felipe Melo admitiu ter um estilo semelhante ao do ex-capitão e atual comandante do Brasil.
“De repente, temos características iguais em campo, com personalidade forte e briga para roubar a bola. Mas o Dunga já é consagrado e ganhou tudo pela seleção, eu ainda estou em busca de vencer a Copa”, afirmou.
Irritado
Felipe Melo se irritou ao responder logo à primeira pergunta da entrevista coletiva. O jogador não se conformou com a notícia de que teria cometido uma falta dura em Kaká durante o treino de sexta-feira. O assunto ganhou mais repercussão na Itália, onde o volante atua. “Aquele senhor ali fez o favor de colocar a matéria no ar. Foi um lance que aconteceu entre o Robinho e o Kaká. Colocaram nos jornais italianos que o Kaká estava arriscado de ficar fora da Copa por minha culpa. Isso é ridículo”, reclamou o atleta, apontando para um jornalista italiano.
A Confederação Brasileira de Futebol até divulgou um comunicado oficial durante o fim de semana para negar qualquer incidente. E Felipe Melo explicou que já conversou com o colega sobre o assunto. “O Robinho brincou com Kaká e não teve problema algum. Mostrei para o Kaká a notícia, e ele disse que era sacanagem”, acrescentou ele.
Felipe Melo ainda afirmou que a notícia “saiu do Brasil” para motivar a repercussão na Itália e, apesar de admitir seu estilo forte de jogo, se defendeu de críticas. “Entro forte, mas não sou mau caráter”, completou ele.
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Fabricante defende a Jabulani
Depois da reclamação de quatro jogadores da Seleção Brasileira contra a bola da Copa do Mundo, a fabricante da Jabulani, Adidas, defendeu seu produto ontem. O porta-voz da empresa, Thomas van Schaik, manifestou surpresa com as reclamações. Como a bola foi lançada em dezembro, o representante explicou que não houve protestos de outros jogadores nos últimos meses. Schaik, inclusive, afirmou que recebeu respostas positivas de atletas que treinaram com a bola desde seu lançamento. O porta-voz alegou que a Jabulani foi submetida a uma sequência de avaliações.
As críticas à bola foram feitas pelo goleiro Júlio César, os meio-campistas Júlio Baptista e Felipe Melo e o atacante Luís Fabiano. A principal crítica dos atletas foi em relação à mudança de direção da Jabulani. Felipe Melo fez comparação inusitada para manifestar seu descontentamento com a Jabulani. “A bola é horrível. É difícil crer em uma Copa com ela. A outra é como mulher de malandro, você chuta e ela está sempre ali perto. Mas esta é igual à patricinha, não aceita ser chutada”, afirmou ele.
Antes de Felipe Melo, o goleiro Júlio César já havia afirmado que a bola “parece com aquelas compradas em supermercados”. Luís Fabiano, por sua vez, declarou que a Jabulani é “sobrenatural”, pois parece ser “guiada” por alguém.