Tribuna do Leitor

SOWETO


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“Enquanto a bola rolar o mundo estará feliz e estará unido.” - João Havelange ex-presidente da FIFA. Sim, o futebol une nações, derruba fronteiras religiosas, de etnias e coloca pobres e ricos lado a lado pelo mesmo ideal, mas não acaba com as guerras. Não diretamente. Talvez esse seja o real papel do futebol e do esporte em geral, ou seja, exercer a in-serção de todos. Mas não seria esse o papel do Estado? Claro que de forma indireta sabemos que o Estado interfere por meio dos ministérios de Esportes, das secretarias, porém, quando fala-se sobre o papel que o Estado deve exercer ou cumprir é o de investir na educação desde a básica até a superior, de forma maciça, com políticas contínuas e que não se desfaçam a cada 4 anos. Políticas essas que incluem, evidentemente, o esporte.

A primeira Copa do Mundo do continente africano começa no dia 11 deste mês na África do Sul, o país abre as portas para receber o maior evento esportivo do gênero com um olhar voltado para trás, pelo que foi contra o que foi e anuncia o que será.

Os resquícios de quase meio século de Apartheid ainda refletem na vida dos sul-africanos. Mesmo sendo a nação mais rica e industrializada do continente, ainda convive com problemas gravíssimos no sistema de saúde (cerca de 1.000 pessoas morrem de aids todos os dias), desemprego e alta criminalidade.

O crime é um problema sério na África do Sul, especialmente o crime violento. De acordo com um estudo das Nações Unidas, a África do Sul ocupa o primeiro lugar no assassinato com arma de fogo, no homicídio involuntário, na violação e na agressão. É segundo em homicídio e quarto em roubo.

Hoje, 16 anos depois do fim do regime, há muitas mudanças, o bairro de Soweto (South West Township), que se tornou berço e símbolo da luta contra o Apartheid, vive uma situação de crescente esperança com menos pobreza, ruas bem cuidadas, diminuição da violência. A modernização do bairro de Soweto pode ser considerada um símbolo do rápido progresso vivido pela África do Sul antes da Copa do Mundo de 2010.

Apesar de as estatísticas indicarem que entre 40% e 60% dos mais de 3 milhões de moradores de Soweto viverem abaixo da linha da pobreza. “O segredo de Soweto é que aqui agora temos eletricidade e água encanada, mas os habitantes não perderam o senso de comunidade e solidariedade”, diz o analista político Joseph Oesi, ex-morador do bairro. Soweto é parte fundamental da Copa de 2010. Dos 10 estádios que vão abrigar jogos, 3 ficam na região. Junto com os estádios, o governo vem construindo também parques e playgrounds, além de um grande investimento em transporte e reforma das vias de acesso à região.

O otimismo que a Copa traz a África do Sul é visível, não apenas pelo crescimento econômico, mas também pelo senso de união que o evento desperta, e do querer fazer certo. O futebol ganhará muito e espera deixar o melhor de sua bela essência. E não apenas elefantes brancos.

Leandro Ferreira

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