Brasília -Os índios que estão acampados há cinco meses em frente ao Ministério da Justiça conseguiram ontem uma liminar para permanecer no local. A decisão foi da juíza Maria Cecília Rocha, da 6ª Vara Federal de Brasília.
Na tarde de ontem, cerca de 80 policiais militares e federais foram à Esplanada dos Ministérios cumprir um mandado judicial anterior que determinava a retirada dos mais de 300 índios do acampamento. No entanto, a juíza decidiu favoravelmente pela permanência dos índios no local e a polícia se retirou. Os índios estão acampados para protestar contra mudanças administrativas na Fundação Nacional do Índio (Funai).
Eles afirmam que o acampamento só será desativado se o ministro Luiz Paulo Barreto receber o grupo.
Eles exigem, principalmente, a exoneração do presidente da Funai (Fundação Nacional do Índio), Márcio Meira, e a revogação do Decreto 7.056/99 (que institui as atribuições da instituição).
A decisão, de acordo com a liminar, foi adotada no sentido de assegurar a tranqüilidade da reunião da Comissão Nacional de Política Indigenista (Cnpi), no ministério da Justiça.
A juíza também levou em consideração um aspecto cultural dos índios. Um dos advogados do Movimento Social Acampamento Revolucionário Indígena, Ubiratan Maia, disse que foi alegado à Justiça Federal que uma menina de 12 anos, da tribo Guajajara, do município de Grajaú (MA), teve sua menarca no último domingo e, segundo a tradição da etnia, ela deve ficar isolada na tenda por sete dias.