Bairros

Mulher denuncia matança de gatos

Bruna Dias
| Tempo de leitura: 3 min

O crime se repete, mas a solução nunca aparece. Dos 20 gatos abandonados que Nilzete Freitas cuidava voluntariamente no quintal da casa de uma amiga e vizinha, que fica na Vila Pacífico 2, só restaram três. A suspeita é de que a causa das mortes seja envenenamento. A situação não é a primeira em Bauru. A quem Nilzete deve recorrer além de organizações não-governamentais (ONGs)? Essa é uma questão comum a muitos bauruenses que sofrem com o mesmo problema.

A história já tem um início complicado. A casa onde a amiga de Nilzete mora atualmente já foi um local onde animais eram destinados a viver em condições precárias.

“A pessoa que morava lá abandonou os 20 gatos, que estavam com sarna e doentes. Além deles deixou também dois cachorros que depois conseguimos doar”, explica Nilzete.

Como o espírito de solidariedade falou mais alto, a voluntária conseguiu uma autorização por meio de um documento emitido pela ONG Nature Vitae de Bauru para continuar a cuidar dos animais. Entretanto, ela não tinha espaço em sua residência para acomodá-los, e a casa abandonada foi alugada.

Com a ajuda da “futura amiga” elas fizeram um pacto. Os animais poderiam permanecer no local desde que Nilzete se responsabilizasse pela comida, água, cuidados e limpeza do local. “E tudo deu certo, os animais ficaram lindos e bem cuidados”, expressa Nilzete.

Ela ainda ressalta que além dos cuidados rotineiros, sempre levava as fêmeas para castrar antes que elas se reproduzissem desenfreadamente.

Massacre

Na última quinta-feira, alguns gatos apareceram misteriosamente mortos, o que deixou a voluntária espantada. “Eu não acreditei. Eles devem ter jogado veneno porque os gatos estavam com a boca espumando e os olhos abertos”.

E assim seguiu. No outro dia mais um, e mais outro. Ontem a situação ficou crítica. Mais filhotes e um gato adulto estavam mortos pela manhã com as mesmas características. A voluntária também encontrou um resíduo em pó no fundo do pote onde os filhotes bebiam água.

“Eu acho que o pó era veneno. Eu sempre troco a água deles e foi aparecer de um dia para o outro. É muita coincidência. Eu nem suspeito quem esteja fazendo isso, mas peço que pare. Os gatos estão bem cuidados e não estão se reproduzindo em massa. Hoje (ontem) mesmo eu levei algumas gatas para castrar e vou buscar mais tarde”, defende Nilzete. Ela afirmou que vai registrar boletim de ocorrência sobre o caso.

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Orientação

Beatriz Schuler, membro da ONG Vida Digna que atua em Bauru, diz que a atitude é pior do que se imagina. “A pessoa que envenena um animal pode, acidentalmente, envenenar uma criança. Se ela joga o veneno no quintal de uma casa, uma criança corre um risco imenso de pegar”, defende.

Ela também explica que o crime de maus-tratos aos animais é de responsabilidade do governo. “O boletim de ocorrência é feito para que as autoridades tomem uma posição sobre os casos. Não é simplesmente empurrar com a barriga. Nós temos que cobrar soluções porque hoje é aqui, e amanhã em outro bairro. Ninguém é punido”, destaca.

Nilzete Freitas já havia entrado em contato com Beatriz, que vai abrigar os três gatos que restaram vivos. “Ela vai ficar com eles por enquanto, porque se ficarem aqui, serão mortos como os outros”, lamenta Nilzete.

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