Internacional

Israel: ativistas denunciam matança


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Washington - Após a chegada de centenas de ativistas à Turquia, detalhes sobre o ataque de Israel ao comboio de seis navios que levavam ajuda humanitária a Gaza, que deixou nove mortos, começam a ser divulgados pelos sobreviventes que passaram por prisões israelenses antes de serem deportados.

Centenas de membros da missão humanitária para Gaza atacada por Israel chegaram ontem à Turquia, onde foram recebidos como heróis, e chamaram de “matança indiscriminada” a operação das Forças de Defesa de Israel que deixou nove mortos.

Em entrevista à BBC Brasil, a cineasta brasileira Iara Lee disse que os israelenses teriam jogado corpos no mar. Detida por tropas israelenses na ação militar, Lee relatou à BBC Brasil ter visto “muito sangue” e que começou “a passar mal” quando subiu ao convés do barco em que viajava.

Ela disse ainda que os atiradores de elite do Exército de Israel entraram no principal navio da frota, o Mavi Marmara, “atirando para matar”. Iara disse à BBC Brasil que não testemunhou as mortes, mas que “outras pessoas que estavam no barco contaram ter visto soldados atirando corpos no mar”.

Um comunicado do gabinete do primeiro-ministro turco, Recep Tayyip Erdogan, confirmou a identidade das vítimas ontem. Todos eram homens entre 19 e 61 anos, e o mais jovem era norte-americano.

Os corpos foram entregues às famílias, após os exames forenses em Istambul. Especialistas citados pela agência de notícias turca Anatólia disseram que todos foram mortos a tiros e que um deles recebeu um disparo a queima-roupa.

Ontem, o presidente turco, Abdullah Gül, afirmou que as relações da Turquia com Israel “nunca mais serão as mesmas”. A Turquia -membro da Otan (Aliança para o Tratado do Atlântico Norte)- era o maior aliado de Israel na região. O mandatário afirmou que o ataque contra a flotilha deixará “sequelas irreparáveis” nas relações bilaterais, e acrescentou que “Israel cometeu um dos erros mais graves de sua história”.

Israel, que enfrenta uma avalanche de acusações, rejeitou hoje uma resolução do Conselho de Direitos Humanos da ONU que aprovou a realização de uma investigação internacional a respeito do ataque.

Liga Árabe

O secretário-geral da Liga Árabe, Amir Mousa, anunciou ao término de uma reunião realizada anteontem à noite no Cairo que os chanceleres árabes decidiram romper e desafiar “por todos os meios” o bloqueio israelense imposto à faixa de Gaza desde 2007, quando o movimento islamita Hamas tomou o poder nesse território palestino.

O enviado americano ao Oriente Médio, George Mitchell, pediu ontem para que a comunidade internacional não deixe que “tragédia” da flotilha humanitária aniquile os “progressos limitados, mas reais”, das negociações de paz entre Israel e a Autoridade Palestina, que governa a Cisjordânia.

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