Política

Rodrigo acha difícil manter Romualdo

Nélson Gonçalves
| Tempo de leitura: 4 min

O prefeito Rodrigo Agostinho (PMDB) disse ontem que está “insustentável” a permanência do secretário Municipal de Cultura, Pedro Romualdo, no cargo. A afirmação foi feita um dia depois de o chefe do Executivo receber carta de representantes de pelo menos 13 entidades de diferentes segmentos do setor cultural. Na carta, as entidades pedem a troca do comando na secretaria e modificações também em funções de chefia e de servidores.

“Tivemos por mais de uma vez a manifestação de servidores que atuam na Secretaria de Cultura manifestando inúmeras dificuldades na relação com o Pedro (Romualdo) e agora um abaixo-assinado. O mais grave, neste momento, é que o descontentamento se torna unanimidade dentro de representações culturais importantes. Se o protesto contra a atuação do secretário vira unanimidade no meio que faz cultura na cidade, fica insustentável a situação”, disse Rodrigo.

O prefeito disse que vai conversar com o secretário para definir a questão. “Já sabíamos dos problemas, mas no início da gestão buscamos contornar pedindo ao Pedro que melhorasse sua relação interna e com as entidades. Agora fica muito difícil a situação, porque o problema atingiu proporções. É uma situação bastante complicada”, acrescentou Agostinho.

Diante da avaliação do prefeito, não será surpresa se até este final de semana o secretário seja confirmado como demissionário. Ontem à noite, a redação deixou recados, mas não conseguiu o retorno de Romualdo. A sexta-feira foi de ponto facultativo na administração municipal, sem expediente.

Em carta, as entidades ligadas à cultura cobram o Executivo da reforma administrativa anunciada no final de 2009. “Após um ano de administração, o prefeito já pode observar o que funciona e o que não funciona em seu governo. Peças deveriam ser trocadas. E uma dessas peças, numa avaliação quase unânime, seria o atual secretário Municipal de Cultura”, reforçam os grupos.

A lista de reclamações contém programas não realizados, problemas graves de relacionamento com o titular da pasta e a lembrança de ações que foram prometidas mas não se efetivaram. A carta menciona a não instalação do Conselho do Museu Ferroviário, o desmonte dos museus Histórico Municipal e Ferroviário Regional e falta de ações itinerantes, paralisação do evento Estação Arte e dos passeios da Maria Fumaça em 2009, a realização de “poucas e amadoras” atividades culturais nos bairros, a falta de recursos para a banca e orquestra contarem com manutenção básica, entre outros.

As entidades também consideram que a Feira do Livro Infantil teve programação fraca, na comparação com anos anteriores, citam a não realização do projetos Osesp em Bauru, a paralisação das atividades do bibliônibus e perde de parte do acervo e o não incentivo à Feira Ubá que, na visão dos reclamante, “já não conta com qualquer apoio da secretaria e sobrevive graças a uma parceria com o Banco do Brasil”.

As dificuldades de relacionamento com o funcionalismo da pasta também foram mencionadas. “Os funcionários da Secretaria Municipal de Cultura têm sido vítimas de assédio moral e perseguição política, com várias reclamações ao Sindicato dos Servidores e à Corregedoria Municipal”, apontam.

Reclamações

Na opinião das entidades, não há investimento em acervo para a Biblioteca Municipal, as ramais também sofrem de ação da pasta e o Teatro Municipal está abandonado. “Os artistas, produtores e agentes culturais da cidade têm tido tratamento extremamente inadequado por parte do secretário, revelando seu despreparo para o cargo. Suas ações são unilaterais, dividindo o movimento cultural e dificultando a produção e sua democratização. A realidade cultural na cidade é feia e vergonhosa, muito distante do que o secretário fez acreditar em relatório anual apresentado ao prefeito”, acrescentam as entidades.

Assinam o requerimento de solicitação da exoneração do secretário, entre outros, a Sociedade Amigos da Cultura (Sac), Associação de Teatro de Bauru (Atp), Associação dos Amigos dos Museus, Associação Bauru pela Diversidade, Grupo s musicais de samba e choro Noz Moscada e Monte de Bossa, Grupo Teatral Celeiro de Arte, Associação Paulista de Corais, Coral Vocalis, Associação de Preservação Ferroviária, Instituto Cultural Umbanda Fest, Federação de Umbanda e Candomblé do Estado de São Paulo Reino de Oxalá e Grupo de pagode Do jeito que elas querem.

Apesar das reclamações de entidades relacionadas aos diferentes segmentos de cultura, nos bastidores é conhecido, de outro lado, dificuldades na execução de programas e de produtividade entre alguns servidores da pasta. Assim, a troca do secretário, caso se efetive, também vai implicar em necessidade de modificações nos meandros do setor, eliminando acomodações funcionais.

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Elementos

Outro elemento que incidirá sobre a substituição na pasta de Cultura é o posicionamento da bancada do PSB, representada pelo parlamentar Paulo Eduardo de Souza. O convite a Pedro Romualdo para assumir a Cultura, em novembro de 2008, logo após a eleição, partiu de cobrança da legenda pelo apoio dado ao então candidato Rodrigo Agostinho no pleito.

Neste caso, o presidente da legenda, Romualdo, indicou o próprio nome, a contragosto da vontade do próprio chefe do Executivo.

Nesta semana, o chefe do Executivo também ouviu reclamações de servidores da pasta. Eles acusam o secretário de assédio moral, tratamento ríspido e autoritarismo. Entre as ações da pasta, os servidores repetem boa parte da lista apontada pelas entidades e mencionam oficinais suspensas, redução no atendimento ao público, sistemas sem manutenção, equipamentos obsoletos e falta de operacionalização de programas.

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