Copa colore comércio
Edson Rodrigues Martyr aposta na diversificação de itens alusivos à Copa para garantir aumento nas vendas
Quem passou recentemente pelo Calçadão da Batista não teve dúvidas: a abertura da Copa do Mundo de Futebol está chegando. Quem denuncia essa aproximação são as lojas localizadas no corredor comercial, que já entraram no clima de torcida para que o Brasil conquiste o hexacampeonato.
As lojas de artigo especializados são as mais animadas e, segundo Cássio Carvalho, presidente da Associação Comercial e Industrial de Bauru (Acib), a expectativa é de aumento de 10% nas vendas para os três primeiros jogos da Seleção.
A loja que Edson Rodrigues Martyr trabalha como coordenador de vendas começou os preparativos para o Mundial cerca de dois meses antes, quando chegaram as primeiras camisas. Atualmente o estabelecimento, além de decorado, oferece uma gama de artigos para a Copa.
“Aqui vendemos camisas, chuteiras, bolas, tapetes, bandeiras, enfim, tudo o que for alusivo à Seleção. Por enquanto o retorno está sendo ótimo, as pessoas procuram bastante, mas a expectativa é de aumento à medida que o Brasil avançar nos jogos”, analisa Edson.
De acordo com ele, as bandeiras e as camisas oficiais, que custam em média R$ 190,00, são os itens mais procurados pelos torcedores. Mas, mesmo quem não comercializa os produtos vedetes da Copa não quer ficar fora da festa e enfeita as fachadas na tentativa de atrair a atenção do consumidor. Para os comerciantes, o avanço do Brasil pode, sim, ser sinônimo de lucro.
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Copa da publicidade
Otimista, Cássio Carvalho aposta em aumento de vendas durante o período
Se o futebol está prestes a travar uma disputa mundial, a publicidade já entrou na batalha há muito tempo. Isto porque o prestígio que o campeonato tem junto aos torcedores de todo o mundo, especialmente no Brasil, é sinônimo de boas oportunidades de vendas.
Pelo menos esta é a aparência que centenas de comerciais alusivos à Copa passam ao torcedor. Mas, para Cássio Carvalho, presidente da Associação Industrial e Comercial de Bauru (Acib), nem tudo o que parece é. De acordo com ele, os comerciantes têm de apelar para a publicidade para conseguir manter as vendas nesta época.
“Quem não tem um comércio direcionado a este tipo de artigo, sofre nesta época do ano porque o consumo se direciona para outro setor. Quem lucra são as empresas de carnes, bebidas e uniformes da Seleção, que vendem naturalmente, sem o mínimo esforço”, explica Cássio.
Segundo ele, mesmo com os contratempos, os comerciantes esperam vender 10% a mais que no último campeonato, realizado em 2006. As promessas de lucro são os uniformes da Seleção e os televisores.
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Brasileiros vestem a camisa
Para Kaká, vendedor de camisas da Seleção, a vitória do Brasil lhe trará duas alegrias: a do patriotismo e a financeira
Quem, ao passear pelos bairros de Bauru, nunca se deparou com praças e rotatórias recheadas de varais ostentando dezenas de camisas dos times brasileiros? Com a proximidade da Copa do Mundo de Futebol, este cenário mudou. Os clássicos uniformes de times como Corinthians, Palmeiras, Santos e São Paulo saíram de cena para dar lugar a uma única torcida: a da Seleção Brasileira.
Antevendo esta mudança, o paulista José Cássio da Silva, 20 anos, (que prefere ser chamado de Kaká, em homenagem ao craque da Seleção), não pensou duas vezes e deixou a Capital em busca de sucesso. Com a mala recheada de uniformes da seleção canarinho, se instalou em uma praça na zona sul da cidade.
“Já fiz isto na Copa de 2006 e agora estou repetindo o feito. Por enquanto as vendas estão mornas, mas penso que vão melhorar à medida que o Brasil avançar na disputa”, prevê ele, que conta que, nos feriados, chega a vender em média 50 camisas, com preços que variam de R$ 35,00 a R$ 40,00.
Faltando cinco dias para o início dos jogos, Kaká aguarda ansioso e espera que a Copa lhe traga dupla alegria. “O Brasil tem de ganhar, vamos ser hexa! E, se isso acontecer, aí meus estoques de camisa e bandeira vão se esgotar e eu vou voltar para casa duplamente feliz”, afirmava Kaká, enquanto vibrava enrolado em uma bandeira do Brasil.
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Para ver melhor
Marcelo Tavares, proprietário de uma empresa que loca telões e projetores, comemora chegada da Copa: “Aluguéis já aumentaram 90%”
As empresas que apostaram no avanço da tecnologia para realizar seu trabalho estão superanimadas com a aproximação da Copa, especialmente as que trabalham com o aluguel de telões e projetores ou com a venda de televisores de alta definição.
Assistir aos jogos da Seleção com amigos, em bares e até mesmo nas empresas promete ser a vedete do Mundial. A tendência já se reflete economicamente nestas organizações. É o caso da empresa onde Renan Spin trabalha. Ele conta que os aluguéis de telões e projetores sofreram aumento de 90% em relação aos meses não agraciados pela Copa.
“Temos 20 equipamentos deste tipo e já estão quase todos alugados. A empresa está comemorando a temporada e torce para que o Brasil dispute a final, desta forma a alegria será completa”, avalia Renan.
De acordo com ele, quem mais busca pelo serviço são as empresas que vão organizar a torcida com os funcionários no horário de trabalho. Os valores variam de R$ 150,00 a R$ 250,00, dependendo do equipamento.
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Façam suas apostas
Rodrigo Lourenção (esq). realiza um bolão com os amigos Marcel Bighetti, Ricardo Schneider, Mariana Marques e Rodrigo Nunes
Qual será o placar do primeiro jogo do Brasil na Copa da África do Sul contra a seleção da Coreia do Norte? É com base nesta pergunta que o assistente jurídico Rodrigo Lourenção está organizando um bolão entre seus amigos. Quem acertar o placar leva a grana.
De acordo com ele, assim que surgiu a ideia de fazer a brincadeira, as pessoas se animaram e aderiram na hora. Em apenas dois dias os apostadores já totalizavam um grupo formado por 30 pessoas.
“O pessoal se anima, afinal a Copa só acontece a cada quatro anos. Por isso tive a ideia de aumentar a expectativa das pessoas fazendo um bolão. Já pensou se, além do Brasil vencer a partida, der para levar um dinheiro extra para casa?”, questiona, animado.
O valor cobrado pela ‘fezinha’ é de R$ 2,00 para uma aposta, e R$ 3,00 para duas. Rodrigo aponta que, pelo menos neste primeiro embate, os torcedores estão otimistas. “A maioria aposta que o Brasil vai ganhar de 3 x 1 ou de 3 x 0. O máximo de pessimismo são os que esperam um empate”, afirma.
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Jogos param empresas
Funcionários comemoram iniciativa da empresa de instalar telão para acompanharem os jogos do Brasil
Para os brasileiros, no geral, Copa do Mundo é sinônimo de festa. Já para os empresários, o campeonato pode ter um significado um pouco diferente: o de dilema. O que fazer nesta época? Liberar os funcionários do período de trabalho certamente acarretará prejuízos para a empresa. Mas proibi-los de ver os jogos da Seleção pode ser ainda pior, terminando por arranhar a imagem interna da instituição.
Frente a este problema, muitas empresas de Bauru estão optando por uma solução que se encaixe no meio termo: disponibilizar no própria local de trabalho projetores e telões para que os funcionários possam assistir às partidas e, logo após seu término, dar continuidade ao trabalho. Esta foi a alternativa adotada, já há alguns anos, por uma fábrica de produtos plásticos de Bauru.
“Não tem como tirar isto das pessoas. O futebol e a Copa do Mundo são culturais, tem gente que espera ansiosamente quatro anos por este momento. Por isto fazemos um meio de campo. Agradamos aos funcionários sem prejudicar tanto a empresa”, analisa Jorge Luiz da Costa, técnico de segurança da fábrica.
E já que a ideia é entrar no clima, a empresa não se limita à exibição dos jogos. “Como cerca de 500 funcionários vão participar, vamos fornecer também aperitivos como pipoca, refrigerante, amendoim, entre outras coisas para animar a festa”, acrescenta Jorge.
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É tempo de verde e amarelo
Samuel Bispo da Silva pintou as calçadas de verde e amarelo e desenhou uma bandeira na parede de seu comércio
É impossível não notar. As cores da bandeira brasileira estão por toda parte, enfeitando com patriotismo os bairros de Bauru. Alguns optam por bandeiras de tecido, outros preferem usar a camisa nas cores da Seleção, há ainda quem prefira pintar muros e calçadas para demonstrar seu apoio aos jogadores.
Neste último caso se encaixa o comerciante Samuel Bispo da Silva, 53 anos. Nas vésperas do Mundial ele não teve dúvidas: comprou latas de tinta nas cores verde e amarela e coloriu a frente de sua loja, localizada na quadra 19 da avenida Castelo Branco.
“Quando eu morava no Mato Grosso, sempre organizava um grupinho para torcer pelo Brasil. Lá enfeitávamos a casa com bandeiras. Este ano eu quis ir além. Junto de um amigo comprei as tintas, dei asas à imaginação e, sinceramente, gostei do resultado”, avalia.
Para a decoração, que inclui a calçada e a bandeira desenhada na parede, Samuel calcula um gasto médio de R$ 200,00. Valor que, segundo ele, compensa. “Além de mostrar que estamos na torcida pelo hexa, a decoração chama a atenção dos clientes. Penso até que pode influenciar positivamente com um aumento nas vendas”, analisa.
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Vale tudo
Nilson Avante fez promessa para garantir a vitória do Brasil na Copa do Mundo
Para ajudar a Seleção Brasileira a conquistar o título de hexacampeão mundial, vale tudo, inclusive fazer promessas. É com base nesta crença que o torcedor Nilson Avante, 65 anos, decidiu apoiar a seleção canarinho.
“Se o Brasil for campeão nesta Copa do Mundo de futebol na África do Sul, vou de macacão completo de bandeiras do Brasil, caminhando de Bauru a Marília. Pode cobrar!”, promete.
Quando questionado se o trajeto não é muito longo, já que tem cerca de 100 km, Nilson garante que seu orgulho pelo País é bem maior. “Se o Brasil ganhar, vale tudo. Na verdade, o que mais quero é ter de cumprir minha promessa”, afirma.