Economia & Negócios

Clientes de banco reclamam de fusão

Bruna Dias
| Tempo de leitura: 4 min

No ano passado, o Banco do Brasil (BB) fechou negócio de R$ 5,386 bilhões para comprar o Banco Nossa Caixa. Entre as primeiras mudanças resultantes da fusão está o sistema operacional para atender os clientes. As senhas ficaram mais longas e, além delas, existe um código de letras. Como fazer para mudar a senha? O resultado desses e outros problemas tem sido cartões bloqueados e clientes insatisfeitos.

Com um número cada vez maior de pessoas reclamando de dificuldades nas agências de Bauru, o Sindicato dos Bancários de Bauru e Região realizou ontem de manhã um protesto em frente à agência do Banco do Brasil/Nossa Caixa localizada no Jardim Estoril.

Um exemplo dessa realidade vivenciada por diversos usuários dos dois bancos nesse momento de transição é o caso de Paulo Camacho. Leitor do Jornal da Cidade, ele escreveu para a Tribuna do Leitor demonstrando toda a angústia que passou simplesmente para retirar dinheiro no caixa eletrônico de uma agência do Banco Nossa Caixa, em Bauru, e poder viajar no feriado de Corpus Christi.

“Na última quarta-feira minha mulher foi ao Banco Nossa Caixa, agora Banco do Brasil, sacar dinheiro para passarmos o feriado prolongado de Corpus Christi. Chegando ao caixa eletrônico, ao introduzir o cartão na máquina veio a resposta: ‘Prezado cliente, os novos números da sua agência e conta são... No BB a senha do cartão tem seis números em vez de quatro, e os titulares utilizam uma mesma senha e código de acesso”, relatou.

Bloqueado

Após várias tentativas errôneas de cadastrar a nova senha, o cartão foi bloqueado. Entretanto, um aviso emitido pela máquina dizia que o casal poderia, mesmo assim, utilizar o cartão de débito para efetuar compras. E lá foram eles fazer o teste.

“Então fizemos o teste em uma farmácia e nenhuma senha funcionava. Nesse ponto, não havia mais volta. Dezoito horas da quarta-feira, agências bancárias fechadas, cinquenta reais no bolso, feriadão prolongado, sem talão de cheques, vontade de viajar e ver a família. ‘Pode vir que eu te empresto’ - disse minha mãe. A sorte é que o tanque do carro estava cheio. E lá fomos nós, contando as moedinhas para pagar os pedágios”, relatou.

Mas o problema só estava começando. Ontem, a esposa de Paulo retornou à agência para tentar resolver a situação. “Detalhe, não havia mais gerente na agência. Não havia mais responsável. As fotos na parede com os nomes dos gerentes e subgerentes haviam sido retiradas e nenhum responsável podia ser encontrado. A informação era que os anteriores não mais eram gerentes e o responsável não se encontrava”, exclamou o leitor.

E dentre as turbulências que a esposa de Paulo passou novamente estavam incluídos outros clientes. “Depois de duas horas no banco, ela me contou que tinha um senhor passando mal que ela deixou passar na frente da fila. Os caixas preferenciais para idosos e gestantes não existiam mais, os velhinhos tinham que se sujeitar a esperar como todos”, completou Paulo.

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Sindicato pede melhoriana forma de atendimento

No protesto realizado ontem de manhã, sindicalistas reivindicaram direitos dos clientes e dos bancários. “De um lado nós vemos clientes sofrendo um grande descaso no atendimento. Mas de outro vemos os bancários, que também são vítimas do projeto da incorporação dos dois bancos”, ressalta o diretor Carlos Alberto Castilho.

Além das abordagens coletiva e individuais para fazer com que os clientes entendam um pouco melhor a situação das agências, os sindicalistas solicitaram à superintendência regional do Banco do Brasil que agilize a melhora no atendimento.

“Nós estamos fazendo uma pressão diretamente com a diretoria do Banco do Brasil para que haja providências”, afirma Castilho.

O diretor do sindicato também pede a compreensão dos clientes para que tenham calma com os funcionários. “Nós não discordamos do cliente em nenhum aspecto. Ao contrário, nós fazemos coro com eles. Achamos que a situação é de caos e de abandono. Mas quem está do outro lado do caixa não tem culpa da situação, eles também acabam sofrendo com a insatisfação desses clientes”, explica.

Carlos Alberto Castilho salienta que durante as abordagens os clientes participaram junto com os sindicalistas para falar o problema. “Os clientes concordaram conosco e teve até um que foi ao microfone para expressar a sua insatisfação”.

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