A bola da Copa do Mundo é fabricada para superar o goleiro, último obstáculo entre o artilheiro e o gol, razão pela qual milhões de espectadores mundo afora se mobilizarão a partir desta sexta-feira para acompanhar o maior evento esportivo do mundo. A bola é um componente importante de um jogo simples e que tem no gol seu ápice. Friamente, para quem não tem muita intimidade com a bola, o futebol aparenta não ter atrativos e beira à falta de lógica assistir, por mais de 90 minutos, 22 pessoas correndo atrás de uma esfera, o tempo todo chutada, e controlados por três homens de preto e milhares de câmeras por todos os ângulos agindo como olhos dos torcedores parados à frente das telas.
No meio desse enredo estará a Jabulani, bola projetada para dificultar a vida dos arqueiros, profissionais capacitados na arte de estragar a pretensão de adversários em busca da vitória. Submetida a um teste pelo JC, a réplica da Jabulani foi aprovada pelos jogadores do Noroeste, reunidos ontem no gramado do Estádio Alfredo de Castilho. Os goleiros Alexandre Villa e André Luís não reclamaram da bola da Copa. Porém, ambos admitiram que arremates a média e longa distância exigirão atenção redobrada dos goleiros.
Os dois foram “fuzilados” pelos atacantes Rafael Aidar e Adilson, pelo meia-direita Willian Leandro e pelo treinador de goleiros Bira. Malandro, Adilson observou que a bola é ótima para quem joga na linha. Aidar e Willian Leandro definiram a pelota como excelente. A Jabulani agradou em cheio os chutadores. Já os goleiros encararam a bola da Copa com a postura de profissionais tarimbados na arte de impedir gols. Tecnicamente, suas avaliações finais contestam o falatório gerado por jogadores da Seleção Brasileira que não pouparam críticas à bola, confeccionada pela empresa de material esportivo alemã Adidas.
André Luís, Villa e Bira já estão acostumados com as constantes trocas de bolas nos campeonatos pelo Brasil afora e no futebol internacional. Antes de retornar ao Norusca no ano passado, Villa teve passagem recente pelo FC Uniréia Urzeni, da Romênia. Villa comenta que, nas mudanças, as novas bolas chegam primeiro para os goleiros fazerem um período de adaptação ao novo instrumento de trabalho. “Cada vez mais eles inventam uma bola para complicar os goleiros”, ressalta Villa.
O arqueiro noroestino não se refere especificamente à Jabulani, mas ao fato corriqueiro de mudanças constantes na gorduchinha. A preparação de goleiros se sofisticou com o passar das décadas. O material esportivo também se modernizou e a bola da Copa leva muita tecnologia embarcada.
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Bola muda trajetória
em chutes longos
O último empecilho para a comemoração do gol pelos artilheiros é o goleiro. A Jabulani veio exatamente para facilitar gols como o de Rafael Aidar na vitória de 1 a 0 do Noroeste sobre o Guarani, em Campinas, na primeira fase do Campeonato Paulista da A-2. Aos 32 minutos, Aidar deu um tirambaço de fora da área vencendo o goleiro bugrino Douglas. A bola saiu do alcance do arqueiro, tirou uma lasquinha da trave para, então, morrer no fundo da rede. O gol foi de média distância, em uma batida do tipo “pombo sem asas”.
Exatamente a forma enviesada com que a Jabulani desenha sua trajetória em chutes de média e longa distância merece destaque de André Luís, Villa e Bira, especialistas debaixo da trave. Variação foi o termo que define a Jabulani em relação aos efeitos de direção propiciados pela bola utilizada no Paulistão. A bola da Copa muda de rota no meio do caminho em chutes distantes do gol. Chutador com a habilidade de colocar efeito no arremate leva ainda maior vantagem com a Jabulani.
Com 10 anos como profissional, Villa ressalta que cabe ao atleta se adequar à Jabulani. Ele e André Luís foram submetidos, ontem, a finalizações diversas para que sentissem o comportamento da bola da Copa. Ao término, André Luís e Villa aprovaram a Jabulani. Há 15 anos como goleiro profissional, André Luís acrescentou que a pelota tem boa aderência e é uma bola normal.
O preparador de goleiros do Noroeste integrou o time de chutadores contra os arqueiros alvirrubros. Bira ressalta que a bola aparenta ser um pouco mais leve e provoca variações quando o disparo ao gol vem de longe.