São Paulo - O ministro Guido Mantega (Fazenda) afirmou ontem que o crescimento da economia no primeiro trimestre ficou acima do que ele esperava e representa o “auge da retomada do crescimento”. Ele alertou, no entanto, que os dados já indicam desaquecimento e que o Produto Interno Bruto (PIB) terá aumento entre 6% e 6,5% em 2010.
“Fiquei muito satisfeito com o resultado. Foi mais do que eu esperava. Eu esperava 2,5%. Ele mostra que a economia brasileira teve uma das melhores recuperações do mundo. O resultado faz parte de um conjunto de medidas de políticas monetária e fiscal que foram muito bem sucedidas. Na comparação internacional, apenas a China teve um crescimento dessa magnitude. O resultado mostra o vigor e o dinamismo da economia brasileira”, afirmou.
Para o segundo trimestre, no entanto, Mantega espera um desaquecimento da economia. “No segundo trimestre já há dados de desaquecimento. O crescimento no ano vai ficar alto, mas a taxa já está decrescente. Temos a volta dos impostos, que vai fazer a demanda cair, a volta do compulsório e a taxa de juros, que já subiu 0,75%, a maior alta de todos os países. Além disso, tivemos o corte de R$ 10 bilhões nos gastos do governo.”
“Um outro fator que ajudará no desaquecimento é a crise europeia, que diminui a disponibilidade de crédito para a economia brasileira e dificulta a rolagem da dívida das empresas. Também vai dificultar os IPOs e vai diminuir a abertura de capital das empresas.”
Por fim, até o final do ano, Mantega afirmou que espera um equilíbrio da economia de forma que o crescimento não pressione o setor produtivo. “A trajetória é de um crescimento moderado. Caminhamos para um crescimento sustentável. Não podemos esquecer a base de comparação. A indústria, por exemplo, teve um crescimento negativo em 2009. Em 2010, a economia brasileira deverá ter um crescimento de 6% a 6,5%.”
O ministro Paulo Bernardo (Planejamento) comemorou o resultado do PIB no primeiro trimestre e disse que o crescimento é resultado da estratégia de crescimento adotada pelo governo federal. “Foi um “pibão”! A economia já estava pronta para crescer e o resultado é fruto das políticas de governo”, afirmou, por meio de nota.
O ministro destacou o crescimento de setores da indústria e da construção civil e disse que foi resultado de políticas de desoneração de bens de capital e financiamentos. “Isso deu uma resposta extraordinária”, ressaltou.
Bernardo disse ainda que o governo não quer travar o crescimento, mas garantir um crescimento sustentável. Segundo o ministro, o governo quer uma alta na casa de 5% no ano, mas será difícil o número ficar abaixo de 6%. De acordo com Bernardo, o governo continua alerta.
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Consumo das famílias e indústria
Rio - O consumo das famílias voltou a crescer em patamares mais elevados no primeiro trimestre, próximo ao que era constatado em 2008. A alta de 9,3% ante igual período no ano anterior é semelhante à taxa verificada no período de julho a setembro daquele ano. A demanda das famílias cresceu, nessa comparação, pelo 26º trimestre consecutivo.
No primeiro trimestre de 2009, o consumo das famílias havia subido apenas 1,5%. Sem jamais ficar negativa, vem se recuperando, até chegar aos 9,3% nos três primeiros meses deste ano.
“Houve um leve desaquecimento no mercado de trabalho, e também na oferta de crédito, influenciando a redução do ritmo de crescimento do consumo das famílias. Mas agora, voltou a crescer no ritmo notado em 2008”, afirmou a gerente de contas trimestrais do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Rebeca Palis.
Pela ótica da demanda, o consumo das famílias representou 62,8% do PIB.
Indústria
Setor mais afetado pela crise, a indústria segue em forte recuperação e teve o maior impulso dentro do PIB do primeiro trimestre, retornando ao patamar observado no terceiro trimestre de 2008, antes da eclosão da crise.
Na comparação com igual período em 2009, o segmento apresentou elevação de 14,6%, maior expansão desde o início da série histórica, em 1996. Ante o quarto trimestre, subiu 4,6%.
“A indústria foi bastante afetada pela crise, e portanto, há uma base de comparação mais fraca. Mas desde o terceiro trimestre do ano passado, em o crescimento vem sendo contínuo, nesse patamar acima de 3%”, afirmou Rebeca Palis.