Londres - O premiê britânico, David Cameron, pediu desculpas ontempelo episódio conhecido como Domingo Sangrento, no qual soldados britânicos mataram 14 pessoas na Irlanda do Norte em 1972.
O premiê apresentou ao Parlamento o resultado de um inquérito realizado por 12 anos, que concluiu que as mortes foram “injustificadas e injustificáveis”.
“O que aconteceu deveria nunca, nunca ter acontecido. Alguns membros de nossas forças armadas agiram de forma errada”, disse Cameron. “Em nome do governo, e certamente de nosso país, eu sinto muitíssimo.”
Mais de mil pessoas, reunidas na praça Guildhall, em Londonderry, aplaudiram e choraram com o anúncio da conclusão, transmitido ao vivo, em um telão. Elas passaram os últimos 38 anos fazendo campanha pelas vítimas, acusadas de serem do IRA (Exército Republicano Irlandês).
“Eles esperavam que a verdade fosse dita, particularmente os familiares dos inocentes”, disse Christine Bell, professora da Universidade do Ulster que acompanhou a divulgação da investigação no local.
“Acredito que o inquérito mudou a cabeça das pessoas sobre o que elas pensavam ter ocorrido naquele dia.”
Em 30 de janeiro de 1972, tropas britânicas abriram fogo contra uma marcha não autorizada em Bogside, uma região nacionalista (que prega a independência da Irlanda do Norte em relação a Londres) de Londonderry.
Foram mortas 13 pessoas e 14 ficaram feridas (uma delas morreu depois) - todas desarmadas. À época, soldados disseram o contrário. “Nenhuma das vítimas representava ameaça de causar mortes ou ferimentos graves, ou sequer estava fazendo algo que poderia, de qualquer forma, justificar seus tiros’’, conclui o inquérito.