A diretoria da Associação Hospitalar de Bauru (AHB), que administra o Hospital de Base (HB), resolveu se manifestar a respeito da questão do desfalque de médicos no plantão do Pronto-Socorro Central (PSC). O problema foi tratado em reportagem publicada pelo Jornal da Cidade na última sexta-feira.
A matéria mostrou que pacientes de urgência e emergência que não conseguem vaga para internação na cidade precisam ser encaminhados a outros municípios para receber atendimento. Em respeito ao protocolo médico, os plantonistas precisam deixar seu posto no PSC e acompanhar o trajeto, para o caso de o usuário necessitar de alguma intervenção cirúrgica no decorrer da viagem.
Dessa forma, as equipes do pronto-socorro acabariam ficando desfalcadas por períodos consideráveis. A reportagem relacionou esse problema à crise financeira enfrentada pelo HB, desde o ano passado. Porém, a instituição contesta a versão. O interventor da AHB, Fábio Tadeu Teixeira, diz não entender a relação de causa e efeito entre a falta de médicos no PSC e a situação vivida ultimamente pelo hospital. Segundo ele, a crise financeira da entidade já estaria controlada.
“A situação encontra-se equacionada. É evidente que ainda existem problemas, porém, hoje a AHB tem condições de se apresentar perante o poder público como uma instituição capaz de ser referenciada para prestar serviços à população na área da saúde”, afirma Teixeira.
Segundo ele, a produtividade do HB tem aumentado, mês após mês. Para reforçar seus argumentos, ele cita números referentes aos atendimentos realizados pelo hospital ao longo dos últimos meses. As cirurgias pediátricas, por exemplo, subiram de 103, no primeiro semestre de 2009, para 155 nos três meses iniciais deste ano, aumento de 55%.
O total de cirurgias cresceu em 4,28% no período, assim como a quantidade de pacientes atendidos em cada trimestre, que aumentou em 4,12% (passou de 14.054, no ano passado, para 14.633, este ano).
“Nós, que vivemos a realidade do hospital, ficamos sem entender como podemos ser responsáveis pelo desfalque de médicos no Pronto-Socorro, justamente num momento em que nossa produtividade tem aumentado”, argumenta.
Esforços
De acordo com Teixeira, a AHB pretende unir esforços com o município, a fim de garantir um incremento na qualidade do atendimento oferecido à população. “Acreditamos que, hoje, temos condições de assumir novas obrigações perante o poder público. Porém, isso dependeria uma contrapartida financeira por parte do município”, afirma.
O diretor técnico da AHB, Aparecido Donizeti Agostinho, reconhece que, atualmente, o município demonstra boa vontade em negociar com as demais instituições que atuam na área da saúde em Bauru. “Anos atrás, esse diálogo praticamente não ocorria. Hoje, sentimos que a prefeitura está disposta a nos ouvir”, salienta.
Na visão dele, problemas como a questão do desfalque do pronto-socorro são fruto de anos de abandono que o setor da saúde enfrentou em Bauru. Teixeira afirma que a AHB pretende contribuir para a alteração desse quadro, iniciando uma ampla discussão sobre os papeis que cada “ator” deve ocupar no atendimento à população.
“Queremos redefinir o papel do HB e dialogar com as demais instituições, sem rivalidades”, diz. Atualmente, a entidade é referência no atendimento em traumatologia, enquanto o Hospital Estadual (HE), por exemplo, está mais focado nos casos clínicos.
“Nossa intenção é congregar esforços. A prefeitura, enquanto gestora, tem suas necessidades, e nós, na condição de prestadores de serviço, podemos oferecer soluções para os problemas que existem na saúde da cidade”, conclui.