O gol que a Coreia do Norte marcou sobre o Brasil, na estreia das duas seleções na Copa do Mundo, não surpreendeu o técnico Dunga. De acordo com o comandante, a sua equipe estava sujeita a ser vazada por um adversário inexpressivo. “O gol acontece. Poderíamos ter feito um a mais também. É uma coisa normal do futebol”, minimizou Dunga.
Questionado se a eficiência seria sempre a marca de sua seleção, que ganhou sem empolgar, o treinador não discordou: “Acho que todas as equipes que vieram aqui têm que jogar com eficiência. Para você ganhar, tem que ser assim, senão não chegará a lugar nenhum”. E acrescentou:
“Acho que estreia é uma das coisas mais difíceis que tem, por causa da ansiedade, do longo período de treinamento, etc. Não só eu, como todos os jogadores não ficaram completamente satisfeitos. A gente que fazer gol e não tomar nenhum. Se perguntar para o Julio César, ele não está feliz. O importante foi o resultado, mas é claro que a gente quer sempre mais.”
A coletiva transcorria até tranquila quando um repórter perguntou sobre a versatilidade do atacante Robinho. Foi a deixa para Dunga ser Dunga: “O Robinho tem essa qualidade, sabe jogar em diversas posições. O engraçado é que até um ano atrás ninguém queria ele, né.. quando estava no Manchester City (ING)”, disse, dando um sorriso irônico em seguida. E completou: “O maior defeito meu é que tenho memória de elefante.”
Segundo o comandante, o maior problema do time foi a velocidade na troca de passes, situação que só melhorou no segundo tempo, após as entradas de Daniel Alves, Ramires e Nilmar. Mesmo assim, afirmou que a saída de Kaká já estava prevista. “Já estava prevista a troca do Kaká. Ele não jogaria 90 minutos porque não faz isso há cinco meses. Colocamos o Nilmar para dar velocidade, o Daniel Alves entrou porque tem características parecidas e chuta bem de longa distância, e o Ramires nos daria mais dinâmica. O gol poderia acontecer”, repetiu Dunga.
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Kaká chutou apenas uma vez em gol
Na vitória do Brasil sobre a Coreia do Norte por 2 a 1, ontem, pelo Grupo G da Copa do Mundo da África do Sul, o meia-atacante brasileiro Kaká teve atuação apenas discreta. O camisa 10 da seleção brasileira foi substituído aos 24 minutos do segundo tempo (para a entrada de Nilmar) após dar apenas um chute a gol.
Durante o primeiro tempo, o principal articulador de jogadas ofensivas do Brasil se deslocou pouco e se manteve mais pela meia esquerda do gramado, tentando jogadas com Robinho. Na segunda etapa, o jogador se deslocou mais, só que não foi efetivo em lances de ataque: a primeira assistência foi de Elano e a segunda de Robinho.
Ao todo, Kaká correu 8,8km, lançou seis bolas e tentou quatro cruzamentos. O jogador tentou 54 toques e acertou 44 (foi apenas o sétimo melhor da equipe neste fundamento). Na composição de defesa o meia também não foi participativo (até pela pouca qualidade do adversário), já que não roubou nenhuma bola e não cometeu nenhuma falta. Substituto do camisa 10, Nilmar correu 1,6km em 13 minutos em campo, mas finalizou duas vezes, ambas no gol.
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Imprensa mundial
critica atuação
A vitória do Brasil por 2 a 1 sobre a Coreia do Norte, na estreia na Copa do Mundo da África do Sul, não encheu os olhos da imprensa mundial. O sufoco vivido pelos comandados de Dunga para construir o resultado ganhou destaque nos principais jornais internacionais, bem como o primeiro gol, feito pelo lateral direito Maicon.
“Golaço de Maicon e apuro do Brasil”, estampou o jornal espanhol As. “A seleção de Dunga se esquece do ‘jogo bonito’ e acaba pedindo o fim da partida contra a Coreia do Norte. O lateral da Inter marcou um gol impossível”, diz a chamada do site. Seu principal concorrente, o Marca, seguiu a mesma linha: “Brasil supera sua estreia com apuros”.
Na Itália, onde atua o lateral direito da seleção brasileira, o belo gol anotado em chute direto após passe recebido na lateral direita, quase sem ângulo, também foi muito exaltado. “A Coreia assusta o Brasil e Dunga agradece a Maicon”, diz a chamada da versão online da tradicional Gazzetta dello Sport. “Longo tempo sem gols e calafrios no final: a Seleção vence por 2 a 1, mas sofre na organização norte-coreana”.
Na Argentina, os méritos de Maicon pela impressionante finalização deixaram de existir. “Um presente coreano...”, anunciou o sempre provocador diário Ole, acima da explicação: “A equipe de Dunga pôde abrir o placar no segundo tempo por um erro do arqueiro rival: Maicon acertou um míssil e Myoong Guk-Ri se descuidou de sua meta”.
Na França, a falta de poderio ofensivo da seleção pentacampeã foi o que chamou a atenção. “Brasil sem tranquilizar”, escreveu o L’Equipe: “Se conseguiu se impor frente à Coreia do Norte, o Brasil levou um susto ao sofrer um gol no final”. A resistência norte-coreana também foi exaltada pela BBC, da Inglaterra: “Gols de Maicon e Elano no segundo tempo ajudam o Brasil a superar uma obstinada Coreia no jogo de estreia”.