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‘Celular ao volante’ é a segunda infração mais comum em Bauru

Rodrigo Ferrari
| Tempo de leitura: 4 min

Em tempos de convergência digital, dá a impressão, às vezes, de que as pessoas tornaram-se reféns (ou por que não dizer, escravas?) das novas tecnologias. Essa relação de dependência fica mais evidente quando toca o celular. Esteja onde estiver, o dono aparelho sempre dará um jeito de atender à chamada - mesmo que isso signifique colocar sua vida risco, como no caso daqueles que falam ao telefone móvel enquanto dirigem.

Não por acaso, dirigir falando ao celular é uma das infrações mais comuns no trânsito de Bauru. No último final de semana, a Polícia Militar realizou uma operação de fiscalização em quatro pontos da cidade. O saldo da campanha foi preocupante: em 47% das abordagens, os motoristas conversavam ao telefone em pleno tráfego.

Nos primeiros meses deste ano, a infração figurou no topo do ranking das autuações feitas pelo Grupo de Operações de Trânsito (GOT) da Empresa Municipal de Desenvolvimento Rural e Urbano de Bauru (Emdurb). No geral, foi a segunda causa de multas na cidade, perdendo apenas para trafegar acima do limite de velocidade. Mas, em janeiro, chegou a alcançar a ponta da “tabela”.

Diante do descaso dos motoristas, o comandante do policiamento de trânsito em Bauru, tenente Roberto Trujillo Júnior, afirma que irá intensificar a fiscalização sobre os motoristas que dirigem falando ao celular. “Nos últimos tempos, temos constatado que a maioria dos choques em fila dupla (os famosos engavetamentos) são provocados por desatenção do condutor”, afirma. Nesse sentido, o celular pode ser considerado o principal “ladrão” da atenção dos condutores.

Segundo o especialista em trânsito Marcos Serra Negra Camerini, um veículo que trafega a uma velocidade de 80 quilômetros por hora demora apenas um segundo para percorrer uma distância de 20 metros. “Imagine o problema que alguém pode encontrar no trânsito, por estar falando ao celular enquanto dirige?”, afirma.

De acordo com ele, quem está ao volante precisa estar com o foco totalmente voltado para o tráfego. “Dirigir não é só olhar para a frente. Você precisa estar atento a tudo. Imagine, por exemplo, que o motorista do carro da frente resolva fazer uma curva, mas se esqueça de dar a seta? Você tem de estar preparado para reagir a essa situação. Temos de olhar por nós e pelos outros, pois, em geral, os outros guiam muito mal”, recomenda.

Na visão dele, as pessoas criaram uma dependência excessiva em relação ao aparelho móvel. “O celular é útil, mas não podemos nos tornar escravos dele. Ninguém nessa vida é tão ocupado que não possa ficar sem celular por algumas horas. Antigamente, quando essa tecnologia nem existia, ninguém adoecia pelo fato de ficar incomunicável durante alguns períodos.”

O tenente Trujillo lembra que a associação celular/trânsito não traz riscos apenas aos condutores. “Os pedestres também devem evitar falar ao telefone enquanto atravessam a rua. Nessas situações, qualquer desatenção pode resultar em um atropelamento”, alerta.

Dirigir falando ao celular é considerado infração gravíssima pelo Código de Trânsito Brasileiro (CTB). O motorista flagrado nessa situação fica sujeito a multa de R$ 191,54, além da perda de sete pontos na carteira de habilitação.

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Maioria acha perigoso

Os motoristas - pelo menos a maioria - sabem que é muito perigoso falar ao celular enquanto dirige. E pelo menos os entrevistados pelas ruas de Bauru garantem que não usam da prática quando estão ao volante.

Todos foram praticamente unânimes em relação ao argumento: é perigoso e arriscado demais atender qualquer tipo de telefonema enquanto dirige o veículo. Além disso, dizem que é preciso dar o exemplo, especialmente aos filhos.

É o que pensa o metalúrgico Ricardo Franco, 38 anos. Ele afirma que, mesmo se a ligação for urgente, não justifica atender enquanto dirige. “Eu procuro parar em algum local para atender. A distração pode provocar acidentes”, afirma.

Já para o motorista Romildo Melgar, 49 anos, que tem a direção como profissão, o adequado é atender ao telefonema após estacionar o veículo. É o que Melgar garante fazer.

Nilton Pereira Leal, 40 anos, também motorista, afirma que as pessoas precisam se conscientizar que atender ao telefone enquanto dirige é perigoso demais. “Evitar o celular ao volante pode contribuir para diminuir essa estatística de acidentes”, ressalta.

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