A seleção da Suíça surpreendeu a Espanha e venceu por 1 a 0, ontem, em Durban. A equipe está há mais de oito horas sem levar gols em jogos de Copa do Mundo.
No Mundial de 2006, na Alemanha, os suíços não sofreram nenhum gol em quatro partidas, mas foram eliminados nas oitavas de final pela Ucrânia, na disputa de pênaltis. No total, são 484 minutos sem levar gols em Copas. O último gol sofrido pela equipe foi no Mundial dos Estados Unidos em 1994, justamente contra a Espanha - a partida terminou 3 a 0.
O recorde de maior tempo sem levar gols em Copa é da Itália, com 550 minutos, entre 1986 e 1990.
Ontem, a Espanha dominou toda a primeira etapa contra a Suíça, mas encontrava muita dificuldade para finalizar graças à eficiência da retranca adversária.
Na segunda etapa, a Suíça abriu o placar aos 7min, em sua primeira jogada ofensiva no jogo. Derdyiok partiu em velocidade, dividiu com o goleiro Casillas, os zagueiros espanhóis caíram e a bola sobrou para Fernandes marcar.
Em desvantagem, o técnico espanhol Vicente del Bosque tentou deixar a equipe mais ofensiva e apostou nas entradas de Fernando Torres e Navas nas vagas de Busquets e David Silva.
A “Fúria” partiu para cima dos suíços e desperdiçou várias oportunidades de empate. Em uma delas, Xabi Alonso acertou o travessão. A Suíça passou a explorar os contra-ataques e, num deles, Derdiyok driblou três adversários e também acertou a trave de Casillas. Após o susto, os espanhóis voltaram a pressionar, mas não conseguiram superar a defesa rival.
Agora, a Suíça lidera o Grupo H ao lado do Chile, que venceu Honduras ontem também por 1 a 0. A Espanha volta a jogar no dia 21, contra Honduras, às 15h30, no Ellis Park, em Johannesburgo. No mesmo dia, às 11h, Suíça e Chile jogam em Port Elizabeth. Os classificados deste grupo cruzam com os times da chave do Brasil nas oitavas de final.
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Confronto ajuda a derrubar média de gols
Apontada como uma das favoritas ao título da Copa do Mundo, a Espanha parou ontem ante a defesa da Suíça e só contribuiu para piorar a já baixíssima média de gols do Mundial da África do Sul.
Após 16 jogos, todas as 32 seleções já entraram em campo, mas as redes só balançaram por 25 vezes. A média de 1,56 gol por jogo é a pior em todos as 19 Copas disputados desde 1930. A média atual fica abaixo até da marca de 1990, no Mundial realizado na Itália e cujo nível técnico foi considerado um dos piores da história do torneio.
A média da Copa de 2006, na Alemanha, também foi baixa (2,30), mas ainda assim fica muito acima da atual marca. Questionado sobre o assunto, o diretor de comunicação da Fifa, Nicolas Maingot, se esquivou. “O balanço sobre as médias será feito apenas após a final”, argumentou.
Autor do gol da vitória na estreia de sua equipe, o suíço Gelson Fernandes ganhou da Fifa o prêmio de melhor jogador em campo. Aos 7min do segundo tempo, ele marcou após dividida entre o atacante Derdyiok e o goleiro Casillas. O meia tem 23 anos, nasceu em Cabo Verde e começou a carreira no Sion, da Suíça. Em 2007, foi contratado pelo Manchester City e, atualmente, defende o Saint-Etiénne, da França.
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Suíço machuca suíço
A primeira partida da Copa do Mundo para o zagueiro suíço Senderos durou apenas 36 minutos - e por culpa dele mesmo.
Em um lance inusitado, ele entrou em uma dividida não intencional com o lateral direito Lichtsteiner, companheiro de time, e ainda levou a pior. Sem suportar a lesão, precisou ser retirado de campo no jogo contra a Espanha.
“Só vendo para crer”, ironizou o jornal espanhol “Marca”, enquanto fazia na internet a transmissão ao vivo da partida de ontem, no estádio Moses Mabhida, em Durban.
Senderos é um dos principais jogadores da Suíça, que teve os desfalques do meia Behrami, do West Ham, e do atacante Frei, do Borussia Dortmund, ambos machucados. Ex-jogador do Arsenal, Senderos defende o também inglês Everton e tem ascendência espanhola.
“Meu pai é espanhol, tenho uma relação muito próxima com essa terra e é a primeira vez que vou jogar contra a Espanha. É um dia muito importante. Mas sou suíço e estou orgulhoso de defender esse país”, afirmou o defensor na véspera do jogo.
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‘Herói’ suíço destaca sorte
Ele é africano, nasceu na Praia, em Cabo Verde. Fala sete línguas e é simpático. Joga pela Suíça e derrubou a Espanha com um gol. Ele é Gelson Fernandes.
“A Espanha é uma equipe boa, os caras fizeram um bom jogo. Penso que tivemos sorte, é preciso sorte para ganhar da Espanha’’, falou ele em português ruim. “Estou contente, feliz pelo time e pelo país. Foi provavelmente o mais importante gol que fiz. Gosto da África, os caras são muito simpáticos.”
Apesar de Fernandes atuar no meio-campo pela esquerda e de ter vencido Casillas, ele diz que a defesa é que ganhou o jogo mais uma vez.
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Derrota foi ‘desgraça
futebolística’, diz Xavi
O sentimento de inconformismo reinou no vestiário da seleção espanhola após a derrota para a Suíça. “O jogo foi injusto porque estávamos dominando. Não dominamos com a clareza de outras vezes, mas tivemos chances de fazer gols. Eles aproveitaram uma meia chance que tiveram. Foi uma desgraça futebolística”, afirmou o meia Xavi, do Barcelona.
“Eles fizeram um trabalho defensivo muito bom. Estamos acostumados a jogar este tipo de partida, mas normalmente estas coisas não acontecem”, acrescentou o atleta, ainda inconformado com o resultado do jogo.
Para o volante Busquets, a falta de sorte da Espanha foi determinante. “Tivemos azar. Se tudo tivesse corrido bem, teríamos ganhado por 2 a 0 ou 3 a 1. Agora, só resta pensar em ganhar os próximos jogos”, afirmou.
O atacante David Villa comparou o jogo à derrota anterior do time diante dos Estados Unidos, na Copa das Confederações. “Tivemos a bola mais tempo que o adversário. Chegamos mais vezes no ataque, mas não aproveitamos, às vezes, por culpa nossa e, às vezes porque a Suíça fez um jogo impressionante na defesa”, reconheceu.