Na semana em que comemoramos o Dia da Imprensa, em primeiro de junho, vivemos um misto de apreensão e nostalgia. No século XXI as previsões sobre o futuro do jornal impresso diante do avassalador crescimento das novas tecnologias culminam com o pensamento sobre o fim da era do papel e a afirmação da internet como novo veículo que produzirá a interação total leitor-jornal. Seria o fim do jornal, tal como o conhecemos hoje? O jornal irá migrar totalmente para a internet, em suas versões online? Quais as consequências dessa mudança? Lemos diariamente notícias que evocam a queda na leitura de jornais em diversas pesquisas, como a recente “Infinite Dial 2010”, realizada nos EUA pela Arbitron em conjunto com a Edison Research, e revela que cerca de metade (49%) dos entrevistados concorda com a afirmação: “No futuro, não haverá mais jornais porque todos obterão notícias a partir da internet”. A apreensão nasce da previsão dos profetas e futurologistas que anunciam o fim dos mais de quatrocentos anos do jornal impresso, alardeando que tentar salvá-los seria o mesmo que salvar o emprego de escribas na Era de Gutenberg.
Muitos jornais deixaram-se suplantar pela nova mídia, e só vem reagindo agora, quando os produtores de conteúdo da internet afirmam o fim da gratuidade e do acesso universal, como o New York Times, que começará a cobrar pelo acesso em seu site a partir de janeiro de 2011. Alberto Dines, jornalista renomado, acredita que por muito tempo haverá a coexistência de tecnologias, e que a internet é imbatível, mas dificilmente consegue oferecer ao leitor uma plataforma noticiosa organizada e um conjunto de narrativas como o oferecido pelos impressos. A internet tem fluxo contínuo, o que é sua vantagem, mas também sua desvantagem intrínseca: impossível manter o mesmo padrão de contextualização de tantas informações ao longo de um dia. E descontextualizado e fragmentado, o conhecimento pouco vale.
Os desafios do jornal impresso são também referentes a uma nova geração de leitores nascidos com os estímulos do videogame, computador e internet, além de outro tipo de leitor, mais tradicional, e que busca uma análise mais completa oferecida pelas revistas semanais. Contudo, os jornais são mais estruturados para coletar e tratar a informação, inclusive pautando outros meios. Uma explicação dominante para a tenacidade desse meio é a paixão pelo conteúdo sustentada pelos seus leitores Assim, o sentido da leitura interage com o contexto cultural do leitor, com uma época, afirmando uma dimensão simbólica. E quanto ao devir, deixemos para a futurologia e os homens de negócio. Para nós, leitores, ainda é um conforto saber que a principal fonte de leitura diária continua a ser o jornal impresso, que ganha da tela do computador em todo o mundo. Jornais são lidos pela tradicionalidade, hábito, pelo valor e qualidade da informação produzida, pela credibilidade e segurança na leitura das informações veiculadas. É um verdadeiro registro de um dia histórico.
Tamara de Souza Brandão Guaraldo, jornalista