As paredes brancas, o cheiro de móveis novos e tinta ainda fresca, um ambiente extremamente limpo e bem iluminado, ar condicionado, televisor de LDC e painel eletrônico de senhas prontos para começarem a funcionar. Com aparência de instituição privada, mas com a função de prestar serviço público, a nova sede do Plantão Permanente da Polícia Civil finalmente foi aberta ao público.
Sob as bênçãos do padre Marcos Pavan, a inauguração oficial ocorreu durante a tarde de ontem e contou com a presença de dezenas de autoridades policiais e políticas de toda a região. A população, no entanto, passou a ser recebida a partir das 19h, após a mudança de turno das equipes plantonistas.
Entre as novidades que prometem otimizar e humanizar o atendimento está uma ampla sala de espera, dois cartórios para registro de ocorrências - um deles voltado para casos mais delicados, como estupros, sala com sistema de registro de imagem e voz de pessoas investigadas (o chamado Sistema Fênix) e celas distintas para acolher separadamente homens, mulheres e adolescentes. As novas instalações contam ainda com banheiros separados para uso específico dos presos, dos funcionários e população, sendo um deles adaptado para pessoas com necessidades especiais.
Há também uma sala própria para reconhecimento de acusados, que utiliza o recurso conhecido como vidro falso para que testemunhas possam identificar supostos criminosos sem serem vistas por eles. E quem precisar registrar ocorrências mais simples, como perda de documentos, furto de veículos ou desaparecimento de pessoas, poderá fazê-lo por conta própria em um terminal de auto-atendimento.
Para proporcionar todas essas inovações, foram investidos R$ 276 mil na reforma e adaptação do prédio, provenientes do governo do Estado de São Paulo, através da Delegacia Geral de Polícia da Secretaria de Segurança Pública. Recursos que foram ínfimos, na opinião do diretor do Departamento de Polícia Judiciária do Interior 4 (Deinter-4), Licurgo Nunes Costa, diante dos benefícios em que foram revertidos.
“É um investimento merecido e mais do que justo, uma forma de resgatar a auto-estima dos policiais civis que trabalham as 24 horas do dia no Plantão e, consequentemente, tornar a polícia mais humana, combativa ao crime e parceira da sociedade. A cidade merece muito mais e esse é apenas o primeiro passo”, destaca.
Boa vontade
O diretor explica que cinco equipes formadas por um delegado, um escrivão e dois ou três investigadores trabalham no Plantão Permanente de Bauru em turnos de 12 horas. Ainda que as novas instalações tenham o dobro do tamanho da sede antiga, ele adianta que ainda não há previsão de contratação de mais servidores para o trabalho dentro da unidade.
“Temos em andamento um concurso para contratação de 25 policiais em Bauru e, de acordo com a necessidade, pode ser que as equipes sejam ampliadas. Mas, por enquanto, acreditamos que o esforço e a boa vontade de cada policial sejam suficientes para dar conta de todo o atendimento”, frisa.
Mesmo que não haja a admissão de um maior número de funcionários no curto prazo, a melhoria na dinâmica de atividades dentro Plantão será evidente logo nos primeiros dias de funcionamento, segundo o delegado seccional Benedito Valencise. “As acomodações e os recursos tecnológicos tornarão os serviços muito mais rápidos dentro do Plantão. Com isso, tanto a população quanto a Polícia Militar (PM) irá esperar muito menos tempo para conseguir registrar as ocorrências.”
Com essa agilização dos serviços, o comandante do 4º Batalhão de Polícia Militar do Interior (BPMI), tenente-coronel Nelson Garcia, acredita que o trabalho da PM nas ruas também será beneficiado. “Não deverá haver acúmulo de viaturas em frente ao Plantão, o que significa que esses policiais poderão voltar rapidamente ao trabalho de prevenção ao crime. Realmente é um avanço para nós e para a comunidade”, destaca.