Internacional

Ultraortodoxos fazem protesto contra escolas sem segregação


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Jerusalém - Dezenas de milhares de judeus ultraortodoxos protestaram ontem em Israel contra uma decisão da Suprema Corte do país, que aboliu a segregação numa escola religiosa ao determinar que as meninas judias de ascendência europeia (ashkenazi) estudem com judias cujas famílias vieram do Oriente Médio ou do norte da África (sefarditas) na mesma escola.

Os protestos ocorreram em Jerusalém e Bnei Brak, subúrbio de Tel Aviv. Cerca de 40 casais ashkenazi que se recusaram a enviar suas filhas à escola após a decisão da corte tiveram a prisão ordenada por racismo e deverão cumprir pena de 15 dias de prisão.

As famílias ashkenazi não querem que suas filhas interajam com as colegas sefarditas numa mesma escola religiosa para meninas dentro do assentamento de Immanuel, na Cisjordânia.

Elas argumentam que as duas comunidades têm tradições diferentes e não querem que as meninas se influenciem por práticas sefarditas.

Líderes religiosos sefarditas não criticaram os protestos. Nissim Zeev, do partido sefardita ortodoxo Shas, disse que a questão deveria ser decidida por uma corte religiosa. Para ele, porém, as meninas sefarditas têm o direito de frequentar a escola.

“Todos querem mandar as crianças para escolas ashkenazi”, diz Zion Harounian, 62 anos, um sefardita. “A qualidade dessas escolas é maior: eles são mais fortes politicamente e têm mais dinheiro.”

Tradição

Há cerca de 650 mil judeus ultraortodoxos em Israel (10% da população). O grupo segue a vertente mais conservadora do judaísmo, rejeitando vários hábitos da vida moderna.

As famílias costumam ser grandes, e a comunidade conta com sistema educacional próprio, financiado pelo estado, com escolas sefarditas e ashkenazi.

Os sefarditas descendem dos judeus da península Ibérica que se espalharam pelo norte da África e Oriente Médio. Os ashkenazi, de comunidades que se espalharam pelo centro da Europa.

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