Internacional

Executivo faz defesa de petrolífera que vazou óleo no Golfo do México


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Washington - Enfrentando dura sabatina na Câmara dos Representantes dos EUA ontem, o executivo-chefe da petroleira BP, Tony Hayward, deu um testemunho ensaiado e evasivo que aumentou a irritação de políticos e do país com o gigantesco vazamento no golfo do México. Em frase que repetiu incontáveis vezes em audiência da comissão de Energia e Comércio da Câmara, Hayward disse que “não estava envolvido no processo decisório” de construção da plataforma que explodiu em 20 de abril. Enquanto sofria cerco dos deputados, ele dizia que “a investigação do acidente está em curso”.

O vazamento, hoje estimado em 60 mil barris de petróleo diários, é o maior acidente ecológico da história dos EUA, afetando milhares de pessoas nas costas da Flórida, Louisiana e outros Estados. Só será interrompido por completo por volta de agosto, quando terminar a construção de dois poços de alívio. A explosão matou 11 funcionários de uma terceirizada da BP.

A dramática audiência foi uma rara ocasião em que republicanos e democratas estavam de forma geral unidos contra um inimigo comum. Mesmo assim, a oposição lançou várias críticas contra o governo no início da sessão, uma lembrança do dano contínuo que o vazamento vem provocando na imagem do presidente Barack Obama.

Hayward, de aparência abatida, rosto vermelho e voz baixa, tentou se distanciar da culpa pelo acidente. Enquanto deputados mostravam e-mails de funcionários da empresa que mostravam conhecimento de problemas, ele reiterava não estar saber nada sobre o poço até o acidente. Em um dos documentos de posse da Câmara, um funcionário da BP descreve a perfuração do poço como “um pesadelo”; em outro, uma terceirizada diz ser “altamente improvável” que certas operações funcionariam com segurança. “Eu vi os documentos, mas não tirei conclusões”, afirmou. “É preciso esperar a conclusão das investigações.”

Pressionado, disse que “se sente muito responsável” e que está “totalmente devastado”. “Não quero saber se você está abalado, quero saber se cumpriu seus compromissos com a segurança”, retrucou o democrata Bart Stupak.

Sugestões sobre sua demissão foram contínuas. O executivo respondia que “no momento está concentrado na resposta” ao vazamento. Para isso, disse, buscou ajuda globalmente. “Há várias centenas de entidades envolvidas nos esforços”, afirmou. Citou inclusive a estatal brasileira Petrobras.

Era opinião comum entre deputados que a BP se preocupou mais em economizar gastos do que com segurança, o que Hayward negou. “Se isso ocorreu, agirei (contra os responsáveis)”. Hayward também pediu desculpas. “Sinto muito, muito mesmo. É óbvio que eu e a BP nos arrependemos do que aconteceu.” Foi de pouca ajuda. “Todos nos EUA estamos totalmente enojados”, disse o democrata Eliot Engel (Nova York).

Uma única manifestação semelhante a apoio foi duramente criticada depois. O republicano Joe Barton pediu desculpas a Hayward pelo que viu como “politização” da crise e se disse “envergonhado” pela pressão colocada sobre a BP pela Casa Branca que resultou na abertura de um fundo de compensação de US$ 20 bilhões. Deparado com o efeito negativo do comentário, Barton mais tarde se retratou.

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