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Prevenindo desligamentos

Francisco Carlos Martins
| Tempo de leitura: 3 min

Não bastassem os imensos prejuízos ambientais que as queimadas provocam na zona rural, esses focos de incêndio colocam em risco a manutenção do fornecimento de energia elétrica para cidades inteiras. Próximas às Linhas de Transmissão de eletricidade, as queimadas acabam atingindo os cabos elétricos de alta tensão, desligando grandes regiões em seu entorno. Neste período do ano que se estende de abril até novembro, menos chuvoso, a ocorrência desses incêndios tende a aumentar, crescendo o risco de interrupções no fornecimento de energia elétrica. Nas plantações de cana-de-açúcar, onde a prática de queimar a palha antes da colheita é uma ação comum, esse risco fica ainda mais grave.

Engana-se quem pensa que para provocar curtos-circuitos nas linhas de alta tensão é necessário que as chamas encostem nos cabos elétricos. O calor das queimadas e o campo ionizado em volta desses fios são suficientes para criar um efeito chamado de arco-voltaico. Daí para o desligamento das linhas é um passo apenas.

Ao contrário do que se pode pensar, não somente o fogo prejudica o funcionamento das linhas de distribuição e transmissão de energia. A fuligem e a palha da cana-de-açúcar, espalhadas pelo vento, também podem causar transtornos já que esses elementos aquecem o ar, tornando-o mais condutor, aumentando as chances de um curto-circuito na rede.

Outra preocupação em relação às queimadas refere-se à fumaça. O seu excesso no meio ambiente causa um superaquecimento dos cabos, diminuindo a resistência e facilitando o rompimento. Chamas mais baixas oferecem também riscos, porque podem atingir a base das torres de transmissão que, em alguns casos, são de madeira, causando sua queda, ou o aquecimento excessivo dos condutores de energia elétrica, o que também provoca curto-circuito.

As queimadas podem provocar dois tipos de desligamentos: os que vão de pequenos a grandes tempos de interrupção e os chamados “piscas”. Para o consumidor doméstico, os piscas são quase imperceptíveis, mas para as grandes indústrias, os desligamentos de curta duração, mesmo que por alguns segundos, prejudicam a linha de produção. Há indústrias que, após esses piscas, têm uma retomada mais lenta, o que provoca maiores prejuízos para o processo produtivo.

Somente no ano passado na região atendida pelas distribuidoras do grupo CPFL, foram registrados cerca de 500 incêndios ou queimadas que acabaram provocando interrupções de eletricidade. Não é pouca coisa. Isso dá uma média de mais de um evento por dia. É preciso, portanto, mais consciência de todos.

Na região de Bauru, São José do Rio Preto, Marília, Jaú, Araçatuba, Botucatu, Lins, São Carlos e outras cidades, foram registradas 114 interrupções de energia elétrica decorrentes de queimadas e incêndios sob ou próximos às linhas elétricas. Nos dois primeiros meses deste ano, mais 22 ocorrências.

Para a sociedade, o prejuízo não é menor. Hospitais, bancos, escolas, postos de saúde, creches, prédios comerciais sem elevadores, cruzamentos nas cidades com semáforos desligados são apenas alguns dos exemplos de desconforto e insegurança para a população.

Como forma de prevenir essas situações, uma das medidas que devem ser respeitadas, independentemente de qualquer aviso, é o respeito às faixas de servidão, aquele corredor de 30 ou 40 metros embaixo das linhas elétricas. São proibidas construções nessas áreas e as plantações não devem possibilitar queimadas na base de torres e postes nesses trechos. Também são proibidas edificações, instalação de placas e painéis, bem como a construção de currais, depósitos, açudes e piscinas, pois além do risco, dificultam as manutenções, principalmente as de emergência.

Anualmente a CPFL Energia participa de campanhas com o objetivo de orientar a população sobre esses riscos. São realizadas palestras destinadas aos profissionais que atuam nesses serviços de risco e distribuídas informações para veículos de imprensa com orientações e dicas de segurança.

O autor, Francisco Carlos Martins, é gerente da Regional Noroeste da CPFL Paulista

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