Regional

Mercado imobiliário em alta alavanca construção de edifícios em cidades de menor porte

Rita de Cássia Cornélio
| Tempo de leitura: 2 min

O mercado imobiliário está aquecido e isso todo mundo sabe. A novidade é que as cidades de pequeno porte da região estão sendo alvos de investimentos. Impulsionados pela estabilidade econômica e pela disponibilidade de financiamentos, o segmento ocupa novos espaços e garante empreendimentos que antes era privilégio de cidades maiores e grandes centros.

Em Agudos (13 quilômetros de Bauru), o segmento está se movimentando devido a chegada de novos habitantes ao município por meio das empresas de grande, médio e pequeno porte. De olho nesse nicho do mercado, as construtoras lançam novos empreendimentos. São três autorizados pela prefeitura e outros que ainda dependem de aprovação. O município, vizinho a Bauru, vai ganhar inclusive o seu primeiro condomínio fechado.

Uma pesquisa realizada pela prefeitura de Lins (102 quilômetros de Bauru) para detectar o déficit habitacional recebeu mais de 7.000 inscritos. Pessoas interessadas em adquirir um imóvel para morar, todas de até três salários mínimos. A constatação serviu de base para os empreendedores investirem na cidade. A largada foi a construção de 18 prédios focados nesse público.

A obra, que tem quatro pavimentos e dispensa elevador, teve um tratamento diferenciado para não ficar uma construção fria, explica o secretário municipal do Desenvolvimento de Lins, Israel Antônio Alfonso. “Os 18 edifícios terão jardinagem para dar um aspecto melhor.”

Em Bariri (56 quilômetros de Bauru), prédios com mais de cinco pavimentos só podem ser construídos na região central. Na área residencial só com autorização dos moradores das imediações que devem fazer o documento por escrito. Na cidade, que tem uma única edificação vertical, não há pedidos para novos empreendimentos.

Os prédios com mais de 10 pavimentos exigem análise do Conselho do Plano Diretor de Pederneiras (26 quilômetros de Bauru). A cidade tem um edifício residencial construído e outro que deverá ser entregue no próximo ano.

Para o diretor do Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo (Sinduscon), Renato Parreira, toda a movimentação no mercado é fruto da estabilidade econômica somada às facilidades de financiamento. Já a opção por imóveis verticais, na opinião dele, é uma questão de custo-benefício.

“Para uma empresa grande é bem melhor. Uma casa de cerca de 200 metros quadrados demora aproximadamente oito meses para ser construída. Um prédio demora três anos, mas são 56 a 60 apartamentos. É muito mais rentável.”

Além da chegada e ampliação de grandes empresas nas cidades de pequeno porte, ele aponta o crescimento natural da população como fator que influencia na procura por imóveis. “Os moradores casam e precisam comprar ou locar uma moradia. As construtoras estão investindo porque o público-alvo está apto a comprar.”

Na opinião dele, o crescimento vertical das cidades do Interior não é movido pela violência urbana. “Eu não vejo a violência urbana dos pequenos centros determinando a opção por moradias verticais. Acredito que essa é uma preocupação secundária. O problema é que não existem imóveis disponíveis no mercado dos pequenos municípios.”

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