Bairros

O fenômeno futebol

Wanessa Ferrari
| Tempo de leitura: 2 min

Antes de nascer, as crianças brasileiras costumam já ter, pregado na porta do quarto da maternidade, um bibelô com o símbolo do time de futebol que virá a ser o dono de seu coração. Alguns meses depois, antes de dar os primeiros passos, os mesmos brasileirinhos são estimulados a aprender a chutar uma bola. Tão comum quanto são pais corujas planejando o futuro dos filhos: “Meu garoto vai ser um craque!”.

Atitudes como estas, que muitas vezes passam despercebidas pelos pais e famílias brasileiras, denunciam a cultura incutida nos hábitos dos brasileiros: a paixão e a supervalorização do futebol.

Para Julio Wilson dos Santos, professor de futebol e futsal do curso de educação física da Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Bauru e pesquisador do futebol, o jogo de bola feito com os pés tornou-se, para o brasileiro, mais que um esporte: ganhou dimensões de um fenômeno sociocultural.

“Para se ter uma ideia, a Federação Internacional de Futebol (Fifa) tem mais afiliados que a Organização das Nações Unidas (ONU). Isto porque é um esporte simples, com regras fáceis e, no caso das várzeas, passível de adaptações. Se não tem campo de grama, serve o de terra mesmo. Se não tem 11 de cada lado, o jogo flui do mesmo jeito. E quem liga se a bola está murcha?”, justifica Julio.

Além disso, a popularização do jogo se deve também à paixão e à polêmica que ele causa, já que os resultados dependem de habilidades motoras abertas. O aspecto social também está incutido na disputa de bola. Valores como metas, trabalho em equipe, convívio em sociedade e existência de regras são praticados pelos jogadores enquanto a bola rola.

“O jogo tornou-se tradicional. Por menos que algumas pessoas entendam de futebol, não há no mundo quem não identifique um gol. Por conta disso, a Fifa é relutante em alterar as regras do jogo. Um exemplo é a cobrança de lateral, que sempre foi feita com as mãos, sendo que o lógico seria com os pés”, aponta.

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