Em 1953 fui à matinê dominical do cinema para assistir a um filme de aventuras, passado no coração da África colonial. Tinha 12 anos e morava na minha cidade natal (Santos). O filme versava sobre aventureiros em busca de marfim. Descobriram que elefantes se dirigiam para um local quando pressentiam a morte próxima, por velhice ou por doença.
Descoberto tal cemitério de paquidermes, obteriam muito marfim. Então eles ferem um elefante,sem matá-lo. Ferido, o animal toma rumo ao descanso final. Os aventureiros conseguem uma enorme quantidade de marfim. Dinheiro fácil, sem muito esforço.
Tal qual um paquiderme velho (69 anos de idade) estou pesando em me dirigir para meu local de descanso final: Santos. Pois lá nasci, cresci e vivi até meus 18 anos. Bauru tem um lugar especial no meu coração. Vivi aqui a maior parte de minha existência. Porém Santos exerce um apelo telúrico, irresistível. Minhas raízes estão lá.
Quero acabar meus dias olhando para o imenso mar azul, já gravado na minha retina. Aspirar o oxigênio puro, exalado pelo oceano. Tomar água de coco, sentado num banco à beira-mar, protegido pela sombra amiga de uma árvore. Pegar minha magrela e pedalar pela ciclovia até São Vicente (Biquinha).
Enfim,viver a vida que me resta...
Gilberto Sidney Vieira