Ciências

Terapia gênica substitui parte do tratamento para o HIV

Alexandre Gonçalves
| Tempo de leitura: 2 min

A terapia gênica poderá substituir parte do tratamento com antirretrovirais usado por pessoas que vivem com o HIV. É o que sugere um estudo publicado na revista Science Translational Medicine.

Pesquisadores dos Estados Unidos alteraram geneticamente células-tronco adultas da medula, responsáveis pela produção do sangue. Adicionaram três genes que impedem a replicação e a infecção pelo HIV.

Participaram do experimento quatro voluntários soropositivos que possuíam linfomas - um tipo de câncer que afeta o sangue - e, por isso, possuíam indicação clínica para receber o transplante das células-tronco.

As células transplantadas foram retiradas dos próprios pacientes antes do tratamento para eliminar o linfoma. Depois, vírus pertencentes ao mesmo grupo do HIV - os lentivírus - foram usados para inserir os três genes no núcleo das células que seriam usadas no transplante.

Por segurança, apenas metade das células transplantadas foi alterada geneticamente. Depois de eliminar o linfoma, pesquisadores prepararam a medula que recebeu novamente as células-tronco.

O artigo publicado mostra que o procedimento não ocasionou qualquer efeito adverso e, mesmo dois anos depois, algumas células do sangue continuavam produzindo os fatores que as tornavam resistentes ao HIV.

“O experimento mostra que a técnica é viável e pode ser aplicada com segurança”, aponta John Rossi, do Centro City of Hope para o Câncer, nos Estados Unidos.

“Será fantástico fazer com que o próprio organismo bloqueie a replicação viral”, aponta o infectologista Ésper Kallás, da Universidade de São Paulo (USP), que considera o estudo promissor. Ele acredita que, no futuro, o método poderá diminuir o uso de antirretrovirais.

A ideia da técnica surgiu depois de um transplante de medula realizado na Alemanha. Um americano que vivia com o HIV e sofria de leucemia recebeu a medula de um doador com células sanguíneas resistentes à infecção pelo vírus. Em 2008, 20 meses depois do transplante, a presença do HIV era indetectável no sangue do receptor, o que suscitou a esperança de cura.

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