A notícia veiculada na mídia foi das melhores neste final de semana, mas não chegou a causar surpresa o anúncio que consagrados grupos de empreendedores iniciaram a preparação de terrenos para a construção de dois grandes shoppings, obras que virão aumentar ainda mais o patrimônio comercial da cidade e, inegavelmente, reafirmar sua potencialidade como centro atrativo de uma região do Estado.
Os setores da cidade onde os shoppings estão projetados constituem uma escolha feliz, até mesmo estratégica, por distribuir essas grandes realizações comerciais entre zonas urbanas carentes dessa espécie de comércio, lembrando que uma delas, a Vila Antártica, ocupa uma área envelhecida e olvidada pela expansão comercial que exerce seu predomínio na zona sul e também pela timidez no rejuvenescimento de suas antigas edificações. A construção de um dos shoppings ao lado de uma importante junção rodoviária, na Vila Santa Luzia, que se jacta manter em suas cercanias um vigoroso crescimento comercial ao longo da av. Nuno de Assis, desencadeará um novo fôlego imobiliário no setor. As duas realizações depois de funcionarem terão por incumbência natural dar maior visibilidade à cidade, a par de atraírem consumidores de todo lado, agitando ainda mais o comércio e prestigiando aqueles que defendem o setor comercial como sendo a sua grande vocação.
A indústria, verdadeiro manancial financeiro para os municípios em face de proporcionar receita mais volumosa se comparada com o arrecadado da fonte comercial, em nosso caso atua como atividade coadjuvante do comércio. O ideal seria que a arrecadação fiscal mantivesse equilibrada em ambas as fontes, afim da cidade se sentir melhor fortalecida e não ficar quase na dependência de uma delas, porém, por motivo sem explicação convincente, salvo aquele do conhecimento popular revelando que as indústrias não aportam nesta cidade como era desejado à mingua de um trabalho político mais dedicado e perseverante. Mas enquanto esse panorama não muda, o comércio se alastra e se elege como nosso carro-chefe, assumindo o encargo de conduzir a cidade ao desenvolvimento.
O ano em curso desponta a esperança de que esta cidade, presenteada com duas novas realizações, mantendo uma população em bom ritmo de crescimento, tem grande possibilidade de contar com mais de um deputado para ajudá-la na celeridade de suas pretensões e, com isso, alavancar a recuperação de seu prestígio perante outras de semelhante porte. Bauru chegou a ocupar o 6º lugar entre as maiores cidades paulistas, mas por acumular muitos desacertos políticos foi se distanciando daquela posição padecendo das consequências de pífias administrações.
O registro à candidatura para as eleições de outubro próximo vetará cidadãos que se valeram de cargos políticos para a prática de delitos, ou pessoas alheias à militância política que a ela alimenta pretensões se foram condenadas por órgão colegiado por determinados delitos. A lei da “ficha limpa”, a pioneira da iniciativa popular que ganhou impressionante entusiasmo em todo o território nacional, levou o Congresso, mesmo contra sua vontade, a aceitá-la, fazendo, contudo, uma modificação sob encomenda no propósito de salvar os políticos de “ficha suja”, aqueles que têm condenação em seu currículo parlamentar aniversariando antes da norma ser sancionada, aos 4/6/2010, esperteza fracassada em virtude de o Tribunal Superior Eleitoral interpretar a lei nova como sendo norma de vigência pretérita, presente e futura, de maneira a alcançar aqueles que foram condenados anteriormente à sua entrada em vigor. Os efeitos da lei ao passado foi outra vitória popular porque rondava a desconfiança que o Tribunal deixasse de reconhecer a produção de efeitos anteriores, e com isso, a porteira estaria escancarada aos atuais condenados.
Preparada pela lei o expurgo de criminosos e a garantia do falecimento da renúncia ao mandato com recurso usado pelo sagaz político afim de escapar do processo de cassação, é tudo o que basta para obstar que o condenado volte a se candidatar a cargos eletivos em eleições futuras. A receita ficou saborosa ao eleitor criterioso e está pronta ao recebimento de inscrições para cargos eletivos de pessoas como “ficha limpa”, ou seja, de passado e presente isentos de máculas que tanto abominam o eleitorado e conspurca a seriedade que deveria manter para garantir a solidez das instituições que compõe o regime federativo.
Com a nossa cidade vivendo uma longa fase de progresso e com o saneamento das inscrições para a candidatura de outubro próximo para cargos eletivos, será de bom alvitre o recomeço de uma campanha esboçada em todo ano eleitoral mas o seu acanhamento logo se perde no esquecimento. Este ano revigorados pela recuperação da ética na política, vamos conscientizar o eleitor a sufragar o nome de candidato radicado em nossa cidade para que tenhamos mais de um representante na Câmara Federal e na Assembleia Estadual, já que essa chance é plausível e tem o aval de um colégio eleitoral apto a essa conquista.
O autor, Alfredo Enéias Gonçalves d’Abril,é professor universitário aposentado