Nacional

Peru já planta mais coca que a Colômbia


| Tempo de leitura: 3 min

Lima - O Peru ultrapassou a Colômbia e é agora o maior produtor mundial de folha de coca, matéria prima da cocaína, estimou ontem a ONU em relatório. Na Bolívia, cuja ação antidroga provoca embate entre candidatos presidenciais brasileiros, a área dedicada ao cultivo da planta aumentou 1%.

O Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC), informou que o Peru expandiu em 6,8% sua plantação de coca em 2009, em comparação a 2008, com produção da folha estimada em 119 mil toneladas. A Colômbia produziu 103 mil toneladas no ano passado.

A cifra foi comemorada pelo governo do conservador Álvaro Uribe, que deixa a Presidência em agosto e fez da política antidrogas e antiguerrilha, com ajuda de US$ 500 milhões anuais dos EUA, eixo da gestão.

A Colômbia é ainda o país que dedica o maior território à coca - 68 mil hectares -, mas a queda de produtividade das plantações, que diminuíram em escala, projeta a supremacia peruana.

O diretor-executivo da UNODC, Antonio Maria Costa, classificou de “preocupante” a tendência do Peru. “Se ela permanecer, o Peru muito em breve vai superar a Colômbia como o maior produtor de cocaína do mundo.”

No Peru, o recrudescimento da plantação de coca é atribuído a despreparo e corrupção da polícia e à transmutação em narcotraficantes de remanescentes da guerrilha Sendero Luminoso.

Para Leonardo Correa, coordenador-técnico do Simci (Sistema Integrado de Monitoramento de Cultivos Ilícitos) da Colômbia, que trabalha com o UNODC, é cedo para comemorar os números da Colômbia.

“Houve avanço, mas é um dado pontual. A produção de coca é muito dinâmica e os dados demonstram que há plantações nos mesmos lugares que havia há dez anos. Ou seja: as regiões seguem vulneráveis”, disse. A ponderação de Correa é acompanhada por especialistas do setor, que afirmam que a produção de coca e cocaína apenas se estabilizou na última década, com a alta capacidade de adaptação do negócio.

Correa defende que a estratégia antidrogas combine políticas pró-desenvolvimento local e combate ao consumo e ao tráfico -a parte mais lucrativa.

Bolívia e eleição

Segundo a ONU, a área de plantação de coca na Bolívia - onde a Constituição consagra seu consumo tradicional - passou de 30.500 hectares para 30.900 hectares.

A expansão foi de 1%, contra a média de 6% anuais desde que o ex-líder cocaleiro Evo Morales chegou ao poder, em 2006. O relatório da ONU diz que o resultado “poderia mostrar uma mudança de tendência em direção a uma redução’’.

A política antidrogas da Bolívia entrou no debate eleitoral brasileiro no começo do mês, quando o candidato tucano à Presidência, José Serra, acusou o governo de Morales de ser “cúmplice”do narcotráfico. De 2005 até 2009, a área dedicada à folha de coca aumentou 21,6%, e Morales, que ainda comanda oficialmente a federação de cocaleiros do país, sofre pressão de sua base para aumentar a área legal de cultivo, que existe desde os anos 90.

Segundo a Polícia Federal brasileira, mais de 80% da cocaína consumida no Brasil vem da Bolívia. A ONU vai divulgar hoje o relatório global de drogas, que analisa consumo e rotas do narcotráfico.

Comentários

Comentários