A manicure Clarice Lisçaraça Rosa, 34 anos, foi morta a facadas por seu ex-marido na manhã de ontem, por volta das 9h20, em sua residência, na quadra 8 da rua Rubens Baroni Bovoloni, Jardim Tangarás. O autor do crime, o auxiliar de serviços gerais Hélio de Almeida, 41 anos, golpeou a ex-esposa com quatro facadas na região do tórax e do pescoço e tentou fugir em seguida, mas foi detido por vizinhos do bairro até a Polícia Militar (PM) chegar.
A unidade de Resgate também foi acionada pelos moradores, mas Clarice já não apresentava sinais vitais quando resgatada. O corpo estava no quintal da casa, onde a vítima foi golpeada. Duas filhas do casal, uma criança de 12 anos e uma adolescente de 15 anos, presenciaram o crime. O filho mais velho, de 16 anos, estava ausente quando ocorreu o crime.
Segundo a PM, não se sabe com exatidão os motivos que provocaram o assassinato. Conforme a vizinhança do bairro, Clarice era moradora nova daquela rua, chegada da Espanha há dez meses, onde morou e trabalhou durante seis anos na cidade de Ávila. Lá, casou-se novamente. O atual esposo - que não quis se identificar -, natural da Espanha, disse que deixou tudo em seu país de origem há três meses para vir morar com Clarice.
Há suspeitas, segundo relatos de familiares de Hélio e Clarice, de que ambos alimentavam discussões por causa da exigência do pagamento de pensão alimentícia para os três filhos do casal, que estava atrasada.
Pensão alimentícia
Segundo Hélio, que confessou o crime à PM, Clarice vinha afrontando-o agressivamente há algum tempo exigindo a pensão alimentícia dos filhos. “Essa discussão começou desde quando ela retornou do Exterior. Eu nuca neguei pagar a pensão, só que meu salário não era suficiente para arcar com algumas parcelas que estavam atrasadas, mas estávamos tentando entrar num acordo”, conta.
O auxiliar relata que foi até a residência da ex-mulher ontem justamente para pedir um prazo maior no pagamento da pensão. “Ganho R$ 567,00 por mês e nunca deixei de ajudar meus filhos, confesso que atrasei por quatro meses a pensão alimentícia, mas estava disposto a negociar”, afirmou.
Já o atual esposo de Clarice diz que Hélio chegou a ameaçá-la várias vezes. “Por esse motivo, vim morar com ela”, disse o esposo, que não estava na casa no momento do crime.
Parentes de Almeida não se conformam com o crime cometido por ele. “Ele era uma pessoa calma, tranquila. Casou-se de novo, levava uma vida normal”, afirmou um de seus sobrinhos. O servente morava no Jardim Manchester e estava casado pela segunda vez.
Além de ser pai de três filhos com Clarice, recentemente teve um filho com a atual esposa. “A semana passada foi seu aniversário, os filhos estavam com ele no final de semana, comemorando”, afirmou um dos parentes, que não quis se identificar.
O corpo de Clarice foi avaliado por perícia técnica e posteriormente enviado para o Instituto Médico Legal (IML) de Bauru, que não havia emitido um laudo oficial até o fechamento desta edição. Ela está sendo velada no centro velatório da Funerária Municipal, no Jardim Redentor, e o enterro será hoje, às 11h, no Cemitério Cristo Rei.
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Arrependimento
Em depoimento à Polícia Militar (PM), o autor do crime, Hélio de Almeida, declarou estar arrependido do que fez e que o crime não foi planejado. “Eu não tinha intenções de fazer isso, mas perdi o controle. Me envolvi numa discussão com a Clarice quando cheguei na casa dela”, atesta.
De acordo com o servente, a ex-mulher teria começado a ofendê-lo como “ladrão de pensão”, o que teria ajudado a desencadear a agressão por parte dele. “Ela também disse ‘se você for homem, pule o muro e venha me enfrentar’”, relatou.
Ao entrar na residência, Hélio teria se deparado com uma faca ali mesmo, que utilizou para golpear Clarice. A arma foi apreendida pela PM.
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Vizinhos da vítima afirmam não ter presenciado discussões anteriores
Segundo informações da Polícia Militar, Hélio de Almeida e Clarice Lisçaraça Rosa se separam há mais de oito anos. Conforme apuraram os policiais que atenderam o caso, Almeida não tinha nenhuma passagem pela polícia.
Após ser detido, o acusado foi encaminhado ao Plantão Policial, onde foi autuado em flagrante pelo delegado Eduardo Samuel Sganzela. Até o final do dia ele seria conduzido à Cadeia de Duartina, onde aguardará pelo julgamento ou eventual ordem de soltura para responder ao inquérito em liberdade.
A vizinhança, assustada com o ocorrido, disse não saber os reais motivos do crime. “Nós não conhecíamos o Hélio e nunca ficamos sabendo de brigas dele com Clarice. Mas faz pouco tempo que ela morava aqui”, diz uma das vizinhas da vítima, que não quis se identificar.
Os moradores afirmaram que viam Clarice poucas vezes durante o dia, já que ela trabalhava como manicure em um salão no Centro da cidade. “Pelo pouco que conhecemos, ela era uma pessoa muito educada e culta”, diz uma das moradoras do bairro. “Nunca presenciamos um fato desses por aqui, apesar daqui ser periferia. Estamos chocados”, afirmou um dos vizinhos da vítima.
De acordo ainda com a vizinhança, os moradores teriam escutado os gritos da manicure no quintal, e logo chamaram a polícia. As filhas do casal, que estavam em casa no momento do crime, saíram correndo e foram recebidas na casa de um familiar.