Geral

Por amor, vendedor muda sua vida

Bruna Dias
| Tempo de leitura: 4 min

Ele, um vendedor com a vida estabilizada, funcionário de uma empresa há anos. Ela, uma secretária bilíngue. Eli Gonçalves de Oliveira nasceu em Bauru. Luiza Emília Plantier é de Bernardino de Campos, mas morou em Bauru quando criança. Coincidentemente, os dois vinham do término dos respectivos casamentos com outros companheiros. Mas o amor uniu esse casal por meio de uma página de relacionamentos na Internet, e a vida de ambos mudou completamente.

Tudo começou quando Luiza saiu do Brasil para morar com uma tia-avó na cidade de San Diego, nos Estados Unidos (EUA).

“Eu fui para os EUA depois que concluí a faculdade de secretariado bilíngue aqui em Bauru. Sempre pensei que lá teria mais oportunidades de emprego e de crescer na vida. E assim foi. Meu primeiro emprego foi como babá, mas logo em seguida consegui um cargo em um abrigo, que funciona como uma espécie de conselho tutelar, localizado na região de San Diego”, relata Luiza.

Nos primeiros anos em que ela iniciou sua vida fora do Brasil, conheceu um americano e se casou. “Eu me casei com um americano e ficamos juntos por três anos. Mas as diferenças culturais falaram mais alto e nós acabamos nos separando.”

Então, ela estava solteira. E Eli também. O bauruense continuava morando no Brasil e havia rompido o relacionamento de 20 anos com a ex-esposa. “Nós terminamos o casamento e eu tentei encontrar outra pessoa. Conheci outras mulheres e tive outras namoradas, mas não deu certo”, conta Eli.

O desejo de encontrar o (a) companheiro (a) ideal não fugiu dos planos de Luiza e Eli. Então, eles se cadastraram em um site de relacionamentos que prometia unir o “par perfeito”. O destino não falhou ao unir os dois caminhos. Eli acabou conhecendo Luiza através do endereço eletrônico e começaram a se interessar um pelo outro de uma forma especial.

“Nós começamos conversando em bate-papos e descobrimos que tínhamos muitas afinidades. Então, começamos a nos ver sempre por webcam. Ela nos EUA e eu aqui no Brasil. Namoramos virtualmente por quase um ano”, afirma Eli.

A vontade de se conhecerem pessoalmente levou Eli até a casa dos pais de Luiza, que ainda residem em Bauru. “A minha maior prova de que ele estava sendo realmente verdadeiro foi quando ele foi até o apartamento dos meus pais para contar a situação e explicar que ele queria algo sério”, declara Luiza.

Com isso, o primeiro encontro foi marcado. Luiza veio até Bauru para conhecer pessoalmente o seu “namorado virtual” e, como esperado, o amor uniu ainda mais os dois. Em 2005 ela veio mais três vezes a Bauru para encontrar Eli e decidir detalhes do casamento.

“Foi quase um ano para juntar todos os documentos e conseguir o visto de noivo. Depois consegui seis meses de permanência no país, contanto que eu realmente me casasse em três meses”, diz Eli. Em 1 de março de 2006 ele embarcou rumo à sua radical mudança de vida. Estava deixando família, dois filhos, o emprego e o País.

“Eu cheguei no dia 1 de março e nos casamos exatamente uma semana depois em Las Vegas, na famosa Little White Wedding Chapel, onde muitas celebridades selaram seus laços matrimoniais, como Frank Sinatra.”

____________________

Mudança radical

Quando decidiu mudar-se para os EUA, Eli Gonçalves de Oliveira pensou: “qual profissão poderei exercer neste país?”. Então, veio à mente uma paixão antiga: o gosto por cuidar de plantas. Ele fez um curso de paisagismo em Bauru, com três meses de duração e decidiu que iria levar esse conhecimento consigo.

“Eu sempre gostei de plantas e nunca imaginei que fosse trabalhar com isso. Até pensei em tentar conseguir um emprego de vendedor, mas decidi procurar algo diferente”, frisou.

Em San Diego ele fez um curso de aspersores de água -dispositivos programados para irrigar as plantas em determinado horário e essenciais a San Diego, porque a cidade tem clima árido e seco. Então, sem esse auxílio seria difícil a reprodução e permanência de plantas na localidade.

Atualmente Eli possui uma empresa de paisagismo devidamente regularizada em San Diego. “O mais importante não foi conseguir clientes, e sim amigos, porque os americanos são mais retraídos e gostam do jeito espontâneo dos brasileiros”, acrescenta.

O casal, agora americano, não deixou de lado suas reais origens e afirmou que está torcendo pelo Brasil na Copa do Mundo. “Morar em San Diego é muito bom, mas nós temos planos de daqui alguns anos retornar ao Brasil e continuar a nossa vida por aqui”, salienta Eli. O casal contou sua história à reportagem do JC durante passagem por Bauru para visitar a família.

Comentários

Comentários