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Copa 2010: Brasil tenta retomar status de melhor zaga


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O Brasil chegou à Copa do Mundo da África do Sul com o status de dono da melhor defesa do futebol. Mas, após apenas duas partidas, a segurança do sistema de marcação já recebe os primeiros questionamentos. Afinal, a seleção canarinho sofreu um gol em cada partida disputada (diante de Coreia do Norte e Costa do Marfim), algo que não era esperado.

Capitão e xerife da zaga, Lúcio não fugiu da responsabilidade e confirmou a preocupação com os tentos sofridos, mas encontrou uma explicação para a surpresa. “Nós conversamos depois dos jogos, ninguém gosta de sofrer gols. Mas, se analisarem bem, nós tomamos os gols quando já estávamos com o placar em vantagem. Não tem drama. Sempre temos que melhorar e buscar a perfeição, mas aconteceram em momentos tranquilos da partida e da competição”, afirmou o atleta.

Questionado se houve erro defensivo nos tentos dos oponentes, o jogador concordou. “Para sair gol tem de haver falhas”, resumiu. Diante da Coreia do Norte, Yun-Nam vazou a meta de Júlio César nos minutos finais, quando os pentacampeões administravam vantagem de dois tentos. Já contra a Costa do Marfim, a situação foi semelhante. O Brasil vencia por 3 a 0 no momento em que Drogba anotou.

Curiosamente, o próximo adversário do Brasil vive situação diferente. Mesmo sem o status dos pentacampeões, Portugal ainda não foi vazado neste Mundial (0 a 0 com marfinenses, e 7 a 0 sobre norte-coreanos). Nesta sexta-feira, às 11h (de Brasília), em Durban, a equipe de Dunga tentará superar a defesa portuguesa e ainda garantir um dia tranquilo ao goleiro Júlio César.

Lúcio falou também sobre a necessidade de a seleção jogar de forma dura, porém sem violência e de maneira equilibrada. “É uma disputa, sempre vai ter contato, mas ser desleal não traz vantagem em nada. Mas se você quer conquistar algo, não pode ser mole”, destacou.

Cristiano Ronaldo

Lúcio não perde a expressão séria quando fala sobre o atacante Cristiano Ronaldo, destaque da seleção portuguesa. O capitão do Brasil negou que o jogador do Real Madrid receberá atenção especial da defesa formada por Dunga na partida de sexta-feira. “O Cristiano Ronaldo é um grande jogador, sem dúvida, mas acredito mais na marcação da equipe. O ideal é um ajudar o outro, com cada um na sua zona”, ordenou Lúcio, que preferiu não se preocupar exclusivamente com o atacante rival. “Claro que o Cristiano Ronaldo é muito bom, mas a seleção portuguesa tem outros atletas”, afirmou Lúcio.

Lúcio supera Pelé

O capitão da Seleção Brasileira, Lúcio, atingirá uma marca significativa na partida contra Portugal. Ao entrar em campo em Durban, o atleta atingirá o índice de 15 partidas com a camisa canarinho em Copas do Mundo, deixando para trás Pelé, que disputou um jogo a menos.

Informado que passará a ser o sétimo jogador com mais atuações pelo Brasil, o zagueiro manifestou sua satisfação, mas afirmou que o mais importante é buscar o título da Copa do Mundo da África do Sul. “Eu não sabia disso. Para mim, é uma coisa que chama muito a atenção e fico feliz. Claro que é uma coisa importante e que dá motivação, mas o foco principal não é alcançar recordes individuais”, afirmou, com o semblante sério.

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Zagueiros minimizam ‘brasileiros portugueses’

Enfrentar compatriotas naturalizados na seleção portuguesa não será motivo de preocupação para os zagueiros da seleção brasileira. Lúcio e Luisão minimizaram o fato de terem pela frente Pepe, Deco e Liedson - trio brasileiro que joga por Portugal. “Independentemente de ser brasileiro ou não, vou sempre fazer meu trabalho. Na Europa, a gente joga contra companheiros de seleção, mas a seriedade é sempre a mesma. Não tem nada de diferente. A gente sabe que a motivação é sempre enorme pra jogar a Copa”, disse Lúcio, que joga na Inter de Milão.

Jogador do Benfica, Luisão avalia a “globalização” do futebol como normal, e evita crítica aos que defendem seleções estrangeiras em Copa do Mundo. “Consegui meu sonho de estar aqui na seleção, mas tem jogadores que saíram cedo do Brasil e conseguiram essa identidade. Eu não sou contra ou a favor, espero que os naturalizados estejam felizes”, disse. Luisão, em seguida, concluiu: “A gente se prepara para enfrentar qualquer jogador.”

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Portugueses falam em devolver derrota

Praticamente classificado às oitavas de final da Copa, Portugal continua indeciso sobre quem mandará a campo na sexta contra o Brasil. Se anteontem o treinador Carlos Queiroz deu indícios de que poderia poupar vários titulares, tendo em vista a sequência do torneio, o meia Tiago, destaque nos 7 a 0 sobre a Coreia do Norte, afirmou ontem que Portugal “quer muito vencer para ficar em primeiro no Grupo G.”

Segundo o jogador, que está substituindo o brasileiro Deco, contundido, os portugueses têm outra motivação: apagar a humilhante derrota para o Brasil por 6 a 2 no último duelo entre os dois países, num amistoso em Brasília em novembro de 2008. “No futebol, não há ajustes de contas, pois cada jogo é um jogo, mas aquela foi uma derrota que não queremos esquecer”, disse Tiago, titular naquela partida. “Naquele dia, nossos irmãos do outro lado do Atlântico deram-nos cabo da cabeça”, disse o meia, usando expressão típica lusa, na entrevista coletiva que concedeu antes do treino.Entre os possíveis poupados de amanhã, além dos contundidos Deco e Ruben Amorin, estariam o astro Cristiano Ronaldo, o meia Pedro Mendes e o atacante Hugo Almeida, todos pendurados com cartões amarelos. “Vamos meditar no que temos de fazer contra o Brasil. Temos de jogar de acordo com o que temos à frente, e não pensando num simples jogo”. Mas, para atletas, imprensa e torcida de Portugal, não se trata de “um simples jogo”, mas de uma chance de vingar a humilhação de 2008 e entrar com moral elevado na próxima fase do torneio.

Destaques de 66 visitam treino

Para desviar o foco da derrota diante do Brasil em 2008 para uma jornada mais gloriosa, a seleção portuguesa recebeu no treino de ontem a visita dos heróis da vitória sobre os brasileiros na Copa-66, na Inglaterra: Eusébio e Simões. O moçambicano Eusébio, considerado o maior craque luso de todos os tempos, fez dois gols naquela partida; Simões fez um. O resultado, 3 a 1 para Portugal, tirou os brasileiros do Mundial logo na fase de grupos, pela primeira e única vez na história.

“Foi muito bom eliminar o Brasil naquela ocasião”, afirmou Eusébio, à beira do campo. “O Brasil não estava bem. Até Pelé não estava bem, mas quis jogar assim mesmo e conseguimos uma grande vitória”. Sereno e bem-humorado, o ex-atleta do Benfica ponderou: “Mas o Brasil é sempre um dos mais fortes do mundo. Há pouco, numa festa em Brasília, aplicou-nos grande goleada. Penso que não acontecerá de novo. Espero que Portugal arranque uma vitória ou um empate.”

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