Regional

Empresa particular vê na região de Bauru ‘filão’ para exploração do lixo

Lilian Grasiela
| Tempo de leitura: 5 min

Piratininga - Com licença ambiental prévia emitida pela Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb), a Estre Ambiental dá mais um passo para o processo de instalação, em Piratininga (13 quilômetros de Bauru), de um Centro de Gerenciamento de Resíduos (CGR) que poderá ser a salvação para muitos municípios da região que estão com a capacidade dos aterros esgotada e não dispõem de local adequado para depositar o lixo doméstico.

Além de Bauru, Jaú, Itapuí e Bariri poderiam ser considerados clientes em potencial da nova empresa, que conhece bem a realidade da região por possuir uma unidade em Guatapará, na região de Ribeirão Preto, que já recebe os resíduos de, pelo menos, duas dessas cidades (Itapuí e Bariri).

Em alguns casos, o lixo chega a ‘viajar’ até 140 quilômetros, encarecendo os custos das prefeituras que optam por este tipo de serviço já que, segundo a própria empresa, para que ele seja economicamente viável, o ideal seria que essa distância não ultrapassasse 100 quilômetros.

Em Itapuí, por exemplo, que teve seu lixão interditado pela Cetesb, o Jornal da Cidade apurou que a prefeitura paga à CGR Guatapará cerca de R$ 98,00 por tonelada de lixo, incluindo o transporte até o município, distante aproximadamente 140 quilômetros, e destinação dos resíduos. Os dois contratos distintos custam ao Executivo, em média, R$ 50,00 o depósito, por tonelada, e R$ 48,00 o frete, que é calculado por viagem.

Como a cidade produz, em média, entre 7 e 8 toneladas de lixo por dia, quantidade suficiente para encher um caminhão da empresa a cada dois dias, ao final de um mês, a prefeitura terá gasto o total de R$ 12 mil só com o depósito dos resíduos e mais R$ 720,00 em frete. Se o lixo fosse transportado até a CGR Piratininga, que ficará distante 60 quilômetros de Itapuí, a prefeitura poderia utilizar sua própria frota, o que resultaria em economia.

Em Bariri, que encerrou recentemente as atividades do seu aterro, a situação é semelhante, já que a distância até Guatapará é de 139 quilômetros, contra os cerca de 73 quilômetros até Piratininga.

No caso de Jaú, que também teve seu lixão interditado, a redução dos custos com o transporte dos resíduos, que hoje são levados até Onda Verde, será ainda maior. Hoje, o lixo percorre aproximadamente 235 quilômetros entre as cidade, mas poderá ‘viajar’ apenas 65 quilômetros se a opção de destino for o futuro CGR.

Além disso, no caso de municípios pequenos, que não produzem uma quantidade grande de detritos, estudos mostram que a contratação de uma empresa especializada na destinação do lixo pode até sair mais barato do que construir e manter um aterro sanitário em funcionamento conforme as determinações da Cetesb.

Licença Prévia

Segundo a Cetesb, a licença ambiental prévia para instalação do Centro de Gerenciamento de Resíduos (CGR) de Piratininga em uma área de cerca de 76 hectares às margens da rodovia engenheiro João Baptista Cabral Rennó (SP-225), a Bauru-Ipaussu, próximo à praça de pedágio do município, foi emitida pela Diretoria de Tecnologia, Qualidade e Avaliação Ambiental do órgão no dia 30 de março.

Para que a CGR possa ser efetivamente implantada, a Cetesb infoirma que a Estre Ambiental deverá obter a licença de instalação, que será emitida após comprovação do atendimento das exigências constantes da licença prévia, da aprovação dos projetos específicos para cada uma de suas unidades e do cumprimento de exigências técnicas solicitadas durante a análise do processo.

“Para a emissão da licença de operação, serão acompanhadas as obras de implantação do aterro e das demais unidades e verificado o cumprimento das exigências constantes da licença de instalação”, complementa.

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Destinação de resíduos

A Estre Ambiental informou por meio da assessoria de imprensa que o Centro de Gerenciamento de Resíduos de Piratininga trará importante resultados ambientais e sócio-econômicos para a região Centro-Oeste do Estado por meio do que há de mais moderno em termos de tecnologias para destinação final de resíduos.

Após a obtenção da licença ambiental prévia, a empresa explica que está concluindo os detalhes do projeto de engenharia e elaborando planos e programas ambientais propostos no Estudo e Relatório de Impacto Ambiental (EIA/Rima) e aprovados pela Cetesb.

Na sequência, ela informa que irá solicitar ao órgão as licenças de instalação (LI) e de operação (LO) para o CGR Piratininga. A LO, que estabelece medidas de controle ambiental para o funcionamento do CGR, só é concedida após a verificação, pelo órgão ambiental, do cumprimento das exigências estabelecidas nas licenças anteriores.

De acordo com a empresa, inicialmente, o empreendimento terá capacidade para receber cerca de mil toneladas de resíduos por dia. Com capacidade volumétrica de 5 milhões de metros cúbicos, a CGR terá vida útil de mais de 25 anos.

A unidade de disposição final de resíduos deverá atender empresas e cidades em um raio de até 100 quilômetros de Bauru. Além do lixo domiciliar, o local irá receber resíduos provenientes da varrição de logradouros públicos, resíduos industriais não-perigosos, restos da construção civil, entulhos de demolição e resíduos da área da saúde.

A empresa ressalta que o CGR de Piratininga é muito mais do que um aterro sanitário. O local contará com infraestrutura que comportará vários tipos de soluções para a destinação final dos resíduos como captação e queima de biogás, unidades de triagem de resíduos recicláveis, de triagem e reciclagem de restos da construção civil, de armazenamento temporário, de blendagem de resíduos industriais e de tratamento de resíduos da área da saúde.

“Na Estre Ambiental, a sustentabilidade é alcançada com a segurança de seus processos de gerenciamento e destinação final de resíduos, com a busca de novas tecnologias que ajudem a reduzir o impacto das ações do homem na natureza. Esse é o caso da transformação dos resíduos em matérias-primas para a geração de energia”, diz.

Crida em 1999, a empresa tornou-se a maior empresa do Brasil no segmento de gerenciamento e disposição final de resíduos, operando aterros sanitários em várias regiões do Estado de Paulo e iniciando atividades no Paraná, Rio de Janeiro e Sergipe.

Os Centros de Gerenciamento de Resíduos da Estre Ambiental somam área total de armazenamento permanente de 62,3 milhões de toneladas, dos quais apenas 35% foram utilizados. Esse volume deverá crescer para 113,5 milhões de toneladas a partir de 2011, quando deverão entrar em operação quatro novas unidades.

Além do uso de tecnologias que garantem impermeabilização do solo, drenagem e tratamento de líquidos, gases e águas pluviais, a empresa afirma que faz o monitoramento contínuo da qualidade das águas, da fauna e da flora na região dos aterros.

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