São José dos Campos - A Polícia Militar descobriu ontem na região central de São José dos Campos, no Vale do Paraíba, dois túneis interligados à rede de galerias pluviais que seriam utilizados por criminosos para invadir o cofre de uma agência bancária. Um homem foi detido, mas liberado após averiguação. A PM trabalha com a hipótese de que a quadrilha invadiria o local ainda nesta semana, provavelmente na sexta-feira, durante o jogo entre Brasil e Portugal pela Copa do Mundo.
Há 15 dias, funcionários do Banco do Brasil, da avenida Dr. Nelson D’Ávila, no centro, ouviram barulho vindo do subterrâneo, principalmente à noite, e avisaram a polícia. “Começamos a monitorar o local e identificamos os ruídos. Levantamos a hipótese de que os criminosos estivessem escavando o solo e solicitamos à prefeitura o mapa das galerias subterrâneas”, afirma o capitão Marcelo de Oliveira Garcia, do 1.º Batalhão da Polícia Militar do Interior.
Na madrugada de ontem, a PM começou a vasculhar as galerias de esgoto e água no entorno do banco. Por volta de 1h, o primeiro túnel, com cerca de 30 metros de comprimento e 70 cm de diâmetro, foi descoberto. Ele fazia a ligação entre a rua Dolzani Ricardo e o Banco do Brasil. “Pás, lanternas e skates, utilizados para a retirada de terra do túnel, foram descobertos”, diz o capitão.
As buscas continuaram e, às 4h, o segundo túnel foi encontrado. Com o tamanho semelhante ao primeiro, mas cinco metros mais extenso, a estrutura unia a rede pluvial da rua Antônio Saes à uma residência no número 286 do mesmo endereço. Lá, foram apreendidos quatro fuzis calibre 5.56 mm, três pistolas 9 mm e uma 45. “O local já estava vazio, mas tudo indica que foi abandonado às pressas”, afirma o capitão da PM Adalto Martins da Silva.
A Polícia Federal assumiu a investigação em razão da presença de armas de uso restrito das Forças Armadas. Pelo menos quatro homens estariam envolvidos na ação. No entanto, a PM não descarta que a quantidade de integrantes seja maior. “Havia cerca de 15 colchões nos três quartos do sobrado”, diz Garcia.
Caso os criminosos sejam presos, eles serão indiciados por porte ilegal de arma de uso restrito e tráfico ilegal de armas. “Não houve a concretização do furto. Por isso, não serão indiciados por esse crime”, explica o delegado federal Ricardo Carneiro.
Vizinhos do sobrado utilizado pelo grupo contam que o imóvel estava ocupado há três meses por um casal, descrito como “reservado”. A movimentação de homens no local não levantou suspeita da vizinhança, já que o sobrado passou por reforma. A PF irá investigar se a residência foi comprada ou alugada. “Provavelmente eles (criminosos) utilizaram documentos falsos para fazer o negócio”, diz Carneiro.
Uma segunda casa, também na rua Antônio Saes, foi utilizada pela quadrilha. “A princípio, eles também cavaram o local, mas desistiram”, diz o delegado. O homem liberado foi encontrado na tubulação pluvial, próximo ao sobrado. Porém, ele foi identificado como um paciente fugitivo de um hospital psiquiátrico da cidade.
A agência bancária alvo dos bandidos, é “responsável por recolher e distribuir o dinheiro de todas as agências bancárias da cidade”, explica Elton Sasa, assessor regional da instituição. A participação de funcionários também será apurada pela polícia. “Eles estavam muito perto do concreto sob o cofre”, conta o capitão Silva.